Não fazes coisas boas porque és uma boa pessoa. Tornas-te uma boa pessoa ao fazer coisas boas
— RUTGER BREGMAN
AMBIÇÃO ORGANIZACIONAL – Usar o talento profissional e organizacional de forma eficaz na resolução dos grandes problemas humanos e civilizacionais
Há alguns anos, reuni-me com um potencial parceiro para a construção do site da KNOWMAD VENTURES.
A meio da conversa, essa pessoa começou a partilhar o que ele considerava serem boas estratégias para potenciar a minha exposição profissional.
Desde identificar os “influencers” do Linkedin e estar sempre lá a comentar – stalking 😊, até lançar posts controversos, só agitar as águas, gerar comentários, e assim tornar-me “relevante” – atear fogos. 😊
Expliquei-lhe que eu sou mais do reconhecimento discreto, que a minha ambição e papéis profissionais estão mais alinhados com a criação de equilíbrios e caminhos do meio.
E que acredito que as Pessoas de uma organização (independentemente da sua função e hierarquia) são os melhores consultores internos da mesma e que o meu papel é:
- Facilitar o trazer ao de cima essa inteligência individual e coletiva, facilitar as conversas sobre a mesma e respetivos insights e reflexões;
- Cruzar isso com o que acontece com as Pessoas e Mundo, explorar oportunidades de melhoria, evolução, disrupção em produtos, serviços e formas de trabalhar;
- Conseguir materializar isso em ações, colaboração e performance nos fluxos de trabalho.
E que nesse sentido, não me revia e não estava disposto a dar energia a essa abordagem mais “faroleira”. 😊
E o gajo, com um suspiro que vou assumir que era de compaixão 😊, olhou para mim com uma expressão que simultaneamente dizia “não sei do que estás a falar” + “pois, assim não me parece que vá funcionar”.
Sou uma pessoa e profissional que acredita no Slow Working para que se possa ter uma Full Living, e sempre disse aqui nos artigos que partilho contigo, que as organizações podem e devem ser um palco de Evolução Humana como outro qualquer.
E que os produtos, serviços e formas de trabalhar devem estar ao serviço do que as Pessoas e Mundo precisam, de uma perspetiva humanista. Dando também resposta às trends, weak signals, disrupções e saltos quânticos tecnológicos, ambientais e sociais que vão surgindo ou explodem de repente na nossa cara.
E se calhar existe um terceiro papel, que finalmente consegui dar-lhe um nome, após ler o livro do Rutger Bregman chamado Ambição Moral, que foi um dos pontos de partida que utilizei para o artigo sobre como podemos ter Lideranças by Design.
A ambição é uma força motriz. Quando orientada por princípios éticos sólidos, pode levar a realizações notáveis e benéficas. Sem a base da ética, a ambição pode levar a comportamentos prejudiciais. A relação entre ambas é, por isso, um equilíbrio delicado e fundamental.
Ambição – É o desejo e determinação para atingir objetivos e alcançar sucesso. Pode ser uma emoção construtiva que capacita as pessoas a visualizarem e perseguirem metas eficazmente, e pode levar ao crescimento profissional e pessoal.
Moral e Princípios – A moralidade e a ética são o conjunto de regras e valores que orientam as ações humanas, ajudando a distinguir o que são as melhores opções humanistas para um todo. Ética é fundamental para lidar de forma íntegra com as situações que surgem na busca pelos objetivos.
Para remover as influências religiosas e da nossa matriz judaico-cristã da palavra “moral” 😊, fiz uma iteração ao termo, e o que melhor representa a temática que quero partilhar hoje contigo é a…
Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz!
Ou seja, a capacidade de profissionais, equipas, líderes, managers e organizações utilizarem os seus talentos, experiência e recursos para dar resposta aos grandes problemas do mundo, através dos seus produtos e serviços, mas também através da sua inteligência crítica e criativa, network, capacidade de trabalho e comunicação, e de colocar as coisas em prática. E que também o possam fazer de forma:
- Evolutiva – para o bem comum e para tornar a nossa vida melhor;
- Ética – trazendo uma visão estratégica eticista para tudo o que se cria, desenvolve, vende e se utiliza, de forma a evitar problemas futuros causados pelas inovações de hoje;
- Eficaz – utilizando os mecanismos de eficácia e eficiência corporativos para conseguir fazer chegar às pessoas e sociedades mais frágeis e necessitadas as soluções que podem de facto trazer uma vida melhor e digna.
Porque há desgraças, catástrofes, privações e perdas humanas, sociais, naturais que não fazem sentido existir nos tempos de hoje. Tendo em conta o conhecimento que temos e a abundância que geramos.

AMBIÇÃO ORGANIZACIONAL E.3 – OS FUNDAMENTOS
Se calhar, para além de alimentos e de tempo, uma das coisas que mais desperdiçamos nesta vida é o nosso talento.
E esse talento, utilizado de forma mais eficaz por todos nós, permite saltos quânticos na resolução de grandes problemas humanos e civilizacionais. E principalmente para se trabalhar e colaborar de forma mais eficaz, criativa e humana. Acho que a COVID foi um bom exemplo desta minha percepção.
Então, a Ambição Organizacional E.3 é uma transformação orgânica sincronizada onde de forma explicita, deliberada, formal e com recursos e capacitação adequados, uma organização assume o papel de uma fundação, ou de uma entidade de inovação social ou afins. Apenas pela inerência de existir!
Esta Ambição Organizacional E.3, apesar de dirigida para “fora” é um ótimo espelho do que acontece dentro – de ti, da tua equipa e pessoas, da tua organização.
Existem algumas ilusões e armadilhas, que podem comprometer a energia, motivação e impacto que os nossos talentos profissionais podem trazer à resolução de um problema ou mitigação de um gap fraturante.
Por exemplo, estar consciente da injustiça não significa que se esteja a fazer algo a respeito. Muitas vezes há um grande fosso entre o que acreditamos e o que realmente fazemos. Saber é diferente de Fazer;
Boas intenções não chegam. Pensa em quantas instituições de caridade nos tocam o coração, mas que na verdade não fazem grande diferença, porque não são pragmáticas, organizadas na utilização dos recursos e pessoas. A Empatia sem Decisões, Ideias e Ações Eficazes impacta as pessoas e mundo de forma superficial. Sermos ativistas artilhados com ferramentas corporate é uma bênção, não uma maldição. 😊
A verdadeira mudança vem de coligações improváveis. Na tua equipa ou organização, não precisam de concordar em tudo para trabalharem juntos em algo importante. Consensos e Interesses Comuns >> unanimidade e alinhamento total.
entar resolver tudo de uma vez pode deixar-te preso. É melhor começar pequeno e construir do que sonhar grande e nunca dar o primeiro passo. Fatiar o Elefante aos bocadinhos, é a minha máxima de foco, progresso e performance.
Para isso, é importante que os profissionais e organizações possam, de forma individual ou em grupo, criar, robustecer e materializar um multiverso de capacitação:
- O idealismo de um ativista – o impulso para defender o que realmente importa;
- A ambição de um fundador de startup – a ousadia de construir algo grande do zero;
- A criatividade de um artista – para se poder imaginar e especular o que pode ser feito de forma diferente e fazer bypass aos hábitos e formas habituais de olhar para as coisas;
- A mente analítica de um cientista – o hábito de questionar, testar e melhorar;
- A humildade de um monge – a sabedoria de saber que não tens todas as respostas.
Nota: Monge não celibatário obviamente para continuar a desfrutar da vida Hahahahaha 😊😊😊
E embora comece com uma pessoa, a verdadeira mudança nunca é uma missão a solo. O trabalho de equipa é essencial.
ACIONÁVEIS DA AMBIÇÃO ORGANIZACIONAL E.3
Tudo isto é muito bonito! E implica no mínimo redefinir os critérios e hábitos que normalmente regem a atividade profissional e organizacional. E mexe com vacas sagradas, status quos profissionais identitários e outros abanões bem fortes. 😊
Redefinir o Sucesso – O verdadeiro sucesso pode passar a ser medido pelo impacto positivo que se tem no mundo, e não apenas pelo salário, cargo ou conforto pessoal. Li um artigo onde um Ex Facebook partilhava que as mentes mais brilhantes do seu tempo estavam a tentar perceber como poderiam fazer com que um utilizador carregasse num botão de forma mais imediata e viciante. 😊
Agir em vez de overdose de Consciência – Não basta estar consciente das injustiças ou ter boas intenções; a verdadeira mudança exige ação concreta e estratégica. A maioria de nós caímos em armadilhas e ilusões sobre de que forma o que sentimos pode influenciar (ou não) o mundo que nos rodeia, se não existir ação.
Priorizar para o Impacto – Os Ambiciosos Organizacionais E.3 usam uma mente analítica e criativa, para identificar as formas mais eficazes de fazer o bem (sim, aqui neste plano terreno ainda existem cenas certas e erradas) 😊. Focam-se em problemas que são:
- Grandes: Afetam um grande número de pessoas, animais e natureza;
- Solucionáveis: é exequível resolver, pois existe nível técnico e know-how conhecidos e eficazes;
- Muito ignorados: Recebem atenção ou financiamento insuficientes de outros.
A Ação é Contagiosa – Ao dar o primeiro passo e convidar outros a juntarem-se, podemos retirar resistência à vontade de agir e inspirar um movimento. Quando somos convidados a fazê-lo, a maior parte de nós ajuda e colabora.
Construir movimentos e colaborações – Para sustentar a ambição e alcançar escala, é importante construir comunidades de profissionais com ideias semelhantes para se apoiarem mutuamente e, por vezes, formar alianças táticas com aqueles que podem não concordar em tudo.
Equilíbrio e Perseverança: Embora seja necessária uma vontade feroz para mudar o mundo, ela deve ser equilibrada com o bem-estar pessoal, alegria e relações para evitar o esgotamento e garantir um compromisso a longo prazo. A jornada é uma maratona, não um sprint.
Expandir o Círculo: Os profissionais devem desafiar os seus pontos cegos atuais e considerar o bem-estar de todos os seres sencientes e das gerações futuras, focando-se em questões contemporâneas ou possíveis ameaças futuras.

CODA
De facto, e olhando para o que nos rodeia, está tudo too much 😊 e descontrolado.
E essa espiral exponencial não se sincroniza com a espiral mais linear e orgânica que nos permite estar em equilíbrio, como seres físicos, mentais, emocionais e almáticos.
Isso implica que a Compaixão se estenda no espaço. Para além de mim, da minha equipa, colegas, organização, como posso potenciar oportunidades e mitigar pains do meu bairro, comunidade, cidade, pais, seres vivos, natureza?
Também implica que se estenda no tempo, especulando e imaginando através de Strategic & Cretive Foresight, que futuros poderão surgir se seguirmos os caminhos atuais ou se existem possíveis futuros onde as coisas acontecem e forma diferente para melhor.
Existem pilares estruturantes como a Bondade de acreditar no bem das Pessoas. Estas são tratadas como fins em si mesmas, não como meios para um fim.
A Mente Aberta cultiva em nós uma mentalidade curiosa e humildade epistémica, que envolve ver o mundo como ele realmente é, admitir erros e transformar crenças com base em evidências em vez do ego.
A combinação do idealismo de um ativista com o impulso de um empreendedor para inovar e executar é uma energia bem fixe para um profissional ter. E uma grande oportunidade para as organizações, através do caminho que escolhem na direção “certa”, possam obter os tesouros “normais” – dinheiro, awareness, etc., mas também proporcionar os salários emocionais e impactos sociais que estão ao seu alcance.
Então, se calhar, impõe-se esta pergunta, quando falamos de Ambição Organizacional E.3:
És um Bom Rebelde?
(To be continued…) 😊
Obrigado, Abraço e Fica Bem,
H