Ambição Organizacional E.3 (Parte 2) – Os Bons Rebeldes

Ambição Organizacional E.3 (Parte 2) – Os Bons Rebeldes

Ambição Organizacional E.3 (Parte 2) – Os Bons Rebeldes

1920 1280 Hugo Gonçalves

—  RICHARD FEYNMAN

Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz – O Papel dos Bons Rebeldes

“Está a Brincar, Sr. Feynman!” é um livro de memórias que compila as fascinantes e hilariantes aventuras do Prémio Nobel da Física Richard Feynman, conhecido pela sua curiosidade insaciável e personalidade excêntrica. O livro apresenta uma série de eventos e histórias que ilustram a sua abordagem única à ciência e à vida.

Desde a sua paixão pela Curiosidade e Aprendizagem Prática, em que defendia uma aprendizagem através da experimentação e da curiosidade natural, em vez da autoridade teórica.

Passando por Questionar a Autoridade, sendo que a sua vida é basicamente um recorrente desrespeito saudável pelas regras e figuras de autoridade. 😊

Fala também sobre a Ciência do Culto da Carga, onde critica a apresentação enganosa de resultados de “sucesso” e a omissão de “fracassos”, cujas respetivas (não) aprendizagens impactavam o progresso para melhores soluções.

Era um senhor com Interesses Diversificados, incluindo tocar bongos, aprender português, desenhar e decifrar hieróglifos maias.

Feynman era mesmo um Bom Rebelde, porque as suas excentricidades eram colocadas ao Serviços das Pessoas e Mundo, e não dos seus interesses pessoais. E porque era basicamente um “desmascarador profissional” de chicos espertos, chefes autoritários e ambiciosos desvirtuados.

Acho que o Dick Feynman e o Rutger Bregman, que definiu o conceito de Ambição Moral, que moldei para a ideia de Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz, no artigo anterior, iriam ser grandes comparsas. 😊

Milhões de pessoas podem tornar o mundo um lugar melhor, mas não o fazem. Principalmente porque nunca lhes foi dada a oportunidade. São pessoas que têm acesso a recursos, educação e oportunidades, mas ainda assim acabam em empregos aborrecidos, inúteis ou até prejudiciais.

A Ambição Moral, como Bregman a descreve, é usar a tua única vida profissional para fazer algo significativo. Não se trata de fama ou reconhecimento. Trata-se de apontar mais alto, não para ti, mas para os outros.

Vou agora partilhar contigo como é que algumas ilusões sobre esta temática podem criar atritos e impacto menos positivos, em várias dimensões profissionais/organizacionais:

Na verdade, a grande maioria de nós está consciente dos problemas da Organização/Pessoas/Mundo, mas continua sem agir. Os psicólogos chamam a isto “gap entre crença e comportamento” – o gap entre o que dizemos acreditar e o que realmente fazemos.

A verdadeira Agency vem de fazer lobby, sensibilizar, colaborar, deixar de lado as posições e procurar interesses comuns. A Radio Alcatifa da tua organização contribui ZERO para isto. 😊

Ter boas intenções não garante bons resultados. Um processo, uma iniciativa de wellness, formação e capacitação de profissionais, tudo isso é realizado com o “coração no sítio”.

Objetivos, metas, aspirações referem-se ao Quê e Porquê. A questão é que, na grande parte das organizações, estas dimensões não se desdobram e sincronizam da melhor forma – customizados à área de intervenção local e funcional. Falta sermos eficazes nos Como. A performance, rigor, estrutura e pensamento crítico são seminais para a Ambição Organizacional E.3.

Num processo de Mentoring, uma das questões que eu estava a trabalhar com um cliente era a Autonomia e Delegação. Ele era um micro gestor assumido, e por muitas evidências, conselhos, dicas, factos, ferramentas, argumentos que eu lhe apresentasse, estes não estavam a atravessar o campo de forças deste líder. 😊

De repente, ele sai-se com esta:

E lá os explanou.

Por vezes, o impacto correto acontece pelos motivos errados. É aí que entra a “reformulação moral”. A persuasão e empatia funcionam melhor do que a pureza. 😊

A verdadeira mudança exige coligações: alianças desordenadas, diversas, por vezes desconfortáveis. Os ativistas práticos organizacionais não esperam que todos concordem em tudo. Sabem que o mais importante são os consensos.

Estratégia e Operações, Pessoas e Processos, Vendas e Controlling, todos têm os seus dogmas puristas, mas estes são irrelevantes no mundo líquido organizacional.

Por fim, existe a crença de que todas as coisas boas naturalmente andam juntas. Muitos idealistas assumem que o progresso é um processo “limpo”, que resolver uma coisa resolve tudo. Mas o mundo real é mais confuso. Às vezes, é preciso fazer concessões. E apontar mais baixo para avançar. Isso não significa desistir dos ideais. Significa ser estratégico. Idealistas práticos avançam, mesmo quando o caminho é imperfeito. O Regresso do Jedi (Vader e Luke) e Thor: Ragnarok (Thor e Loki), são ótimos exemplos. 😊

Disto isto, considero que a Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz é um ecossistema orgânico de Consciência, Transformação e Ação para:

  • Materializar uma Eficácia Atual nos processos, produtos, serviços e formas de trabalhar;
  • Focar nos Impactos Futuros a criar nas Pessoas e Mundo, garantindo que produtos, serviços e soluções vindoiros são Exequíveis, Desejáveis, Viáveis, e Éticos.

Mas para isso é importante reconhecer o que está a funcionar de forma fixe, nas nossas tarefas, processos, produtos e serviços. E o que ainda não está como queremos e necessitamos.


IMPACTO

A mudança não implica que se possa atingir a Transformação. A Mudança pode ser um output, uma Transformação é sobre outcomes. Para isso é importante ter clareza e critérios bem definidos sobre o que devemos priorizar, e escolhemos focar-nos nos maiores, mais negligenciados, mas também solucionáveis problemas da nossa organização e clientes.


EMPATIA ADEQUADA

Vamos apostar na Empatia Organizacional – compreender os colegas, líderes, membros da equipa, tendo por base a sua personalidade, focos, drivers de motivação e formas de comunicar. Só assim conseguimos ter acesso a uma visão mais clara e completa do ecossistema – as empresas são projetos e as organizações são equipas.

Isso passa por apontar para a abundância e realização adequadas. Numa época onde tudo é imediato, impaciente e autocentrado, é importante levarmos em conta as gerações futuras e procurarmos ser bons antepassados. As organizações são um dos melhores palcos para isso – Evolução e Desenvolvimento Humanista das Pessoas.


MENTE ABERTA

É fundamental que os profissionais e organizações possam ver o mundo como ele realmente é, não como queremos vê-lo. Somos epistemicamente humildes: sabemos que o mundo é complicado, e há muitas coisas que não percebemos, ou sobre as quais não temos certezas. O “pequeno problema” é que estamos convencidos do contrário. 😊

O antidoto é cultivar uma mentalidade curiosa, inquisitiva e criativa, e não termos vergonha de mudar de ideias, experimentar e assumir sucessos e erros. Escolher destacar-nos na multidão, mesmo quando as nossas soluções parecem absurdas.


BONDADE

Acredito de forma convicta que todos nós somos boas pessoas, e que foram modelagens, experiências e mecanismos emocionais e mentais não saudáveis de proteção e coping, despoletados em situações complicadas, que eventualmente fazem com que façamos coisas menos boas.

Sabemos que é preciso uma equipa para fazer a diferença. E assim é importante acreditar que todos têm talento.


ENTUSIASMO, PERSEVERANÇA, EQUILÍBRIO

Isto da Ambição Organizacional E.3 é bem fixe, mas pode ser desgastante. Porque pede resiliência (movimento) aceitação (surrender), principalmente em momentos menos bons e onde os resultados não são os esperados.

Ao mesmo tempo, há mais na vida do que trabalho e ambição. Temos entes queridos, hobbies e outros interesses. Queremos viver vidas ricas, plenas e equilibradas. É importante percorrer esta jornada em ritmo maratona, não em sprint.

E saber navegar entre polos opostos, reconhecendo o contributo de cada um, escolhendo qual o melhor posicionamento, consoante objetivos, necessidades e contexto.

O caminho do meio é uma estrada larga, com faixas e rails, não é uma linha reta estática.

És um Bom Rebelde? 😊

“Na sua forma mais despretensiosa, quebrar regras é, na verdade, saudável“, diz Zhen Zhang, da Universidade Estadual do Arizona.

Por vezes, é preciso quebrar as regras para acender uma centelha. Os Bons Rebeldes não se limitam a iniciar fogos — escolhem quando e onde os acender. Fazem-no com um propósito e humanidade!

Sabem exatamente quais as regras que vale a pena quebrar e, mais importante, porquê. Em nome do Progresso, questionam práticas ultrapassadas, desafiam a burocracia e falam quando regras rígidas atrapalham.


Bons Rebeldes quebram as regras quando sabem que o rácio benefício/consequências vale a pena.


Para os Bons Rebeldes, valores e resultados andam de mãos dadas, no âmbito individual, de equipa e organizacional.


Bons Rebeldes fazem o que é certo, não o que é fácil ou conveniente. Mais importante ainda, não quebram as regras para benefício próprio. Fazem-no para apoiar o bem coletivo.

Pergunta do Algodão – Quando surgir a oportunidade, vais seguir o caminho seguro/fácil que te beneficia, ou vais quebrar as regras para ajudar a equipa?


A Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz deve então ser regida por um protocolo de 3 dimensões simultâneas:

  • Priorizar Resultados/Impactos;
  • Cultivar Valores Organizacionais;
  • Oferecer Ganhos Coletivos.

Aqui está uma questão poderosa que podemos colocar já:


Uma questão pertinente que as gerações futuras irão certamente colocar:


Rapidamente se percebe que temos muito com que nos entreter como profissionais e organizações. E que se calhar temos de ser Bons Rebeldes de forma mais deliberada e consistente. 😊


Quando falamos de Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz, penso que pode ser interessante e pertinente sermos Piratas no seio da Marinha. 😊

Pois só assim conseguimos combinar idealismo com ambição empreendedora. Para causar um impacto significativo nos maiores problemas do mundo, usar talentos e recursos de forma eficaz, priorizar o bem em vez de parecer bem, e construir movimentos para a mudança evitando o esgotamento do idealismo.

E trabalhar no sentido das Protopias. Utilizando a incomensurável riqueza de conhecimento, experiência, recursos e competências profissionais que existem aos dias de hoje.


Obrigado, Abraço e Fica Bem,

H

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