Eu sou um universo de átomos. E ao mesmo tempo, sou um átomo no Universo
— RICHARD FEYNMAN
Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz – O Papel dos Bons Rebeldes
“Está a Brincar, Sr. Feynman!” é um livro de memórias que compila as fascinantes e hilariantes aventuras do Prémio Nobel da Física Richard Feynman, conhecido pela sua curiosidade insaciável e personalidade excêntrica. O livro apresenta uma série de eventos e histórias que ilustram a sua abordagem única à ciência e à vida.
Desde a sua paixão pela Curiosidade e Aprendizagem Prática, em que defendia uma aprendizagem através da experimentação e da curiosidade natural, em vez da autoridade teórica.
Passando por Questionar a Autoridade, sendo que a sua vida é basicamente um recorrente desrespeito saudável pelas regras e figuras de autoridade. 😊
Fala também sobre a Ciência do Culto da Carga, onde critica a apresentação enganosa de resultados de “sucesso” e a omissão de “fracassos”, cujas respetivas (não) aprendizagens impactavam o progresso para melhores soluções.
Era um senhor com Interesses Diversificados, incluindo tocar bongos, aprender português, desenhar e decifrar hieróglifos maias.
Feynman era mesmo um Bom Rebelde, porque as suas excentricidades eram colocadas ao Serviços das Pessoas e Mundo, e não dos seus interesses pessoais. E porque era basicamente um “desmascarador profissional” de chicos espertos, chefes autoritários e ambiciosos desvirtuados.
Acho que o Dick Feynman e o Rutger Bregman, que definiu o conceito de Ambição Moral, que moldei para a ideia de Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz, no artigo anterior, iriam ser grandes comparsas. 😊
Milhões de pessoas podem tornar o mundo um lugar melhor, mas não o fazem. Principalmente porque nunca lhes foi dada a oportunidade. São pessoas que têm acesso a recursos, educação e oportunidades, mas ainda assim acabam em empregos aborrecidos, inúteis ou até prejudiciais.
A Ambição Moral, como Bregman a descreve, é usar a tua única vida profissional para fazer algo significativo. Não se trata de fama ou reconhecimento. Trata-se de apontar mais alto, não para ti, mas para os outros.
A ILUSÃO DA NOBREZA CONTEMPLATIVA
Vou agora partilhar contigo como é que algumas ilusões sobre esta temática podem criar atritos e impacto menos positivos, em várias dimensões profissionais/organizacionais:
A ILUSÃO DA CONSCIÊNCIA
Na verdade, a grande maioria de nós está consciente dos problemas da Organização/Pessoas/Mundo, mas continua sem agir. Os psicólogos chamam a isto “gap entre crença e comportamento” – o gap entre o que dizemos acreditar e o que realmente fazemos.
A verdadeira Agency vem de fazer lobby, sensibilizar, colaborar, deixar de lado as posições e procurar interesses comuns. A Radio Alcatifa da tua organização contribui ZERO para isto. 😊
A ILUSÃO DAS BOAS INTENÇÕES
Ter boas intenções não garante bons resultados. Um processo, uma iniciativa de wellness, formação e capacitação de profissionais, tudo isso é realizado com o “coração no sítio”.
Objetivos, metas, aspirações referem-se ao Quê e Porquê. A questão é que, na grande parte das organizações, estas dimensões não se desdobram e sincronizam da melhor forma – customizados à área de intervenção local e funcional. Falta sermos eficazes nos Como. A performance, rigor, estrutura e pensamento crítico são seminais para a Ambição Organizacional E.3.
A ILUSÃO DOS “BONS MOTIVOS”
Num processo de Mentoring, uma das questões que eu estava a trabalhar com um cliente era a Autonomia e Delegação. Ele era um micro gestor assumido, e por muitas evidências, conselhos, dicas, factos, ferramentas, argumentos que eu lhe apresentasse, estes não estavam a atravessar o campo de forças deste líder. 😊
De repente, ele sai-se com esta:
Cliente: “Caramba Hugo, por muitos bons motivos que eu tenha para delegar e deixar de ser micro-gestor, parece que isso não é suficiente para mudar”.
Eu: “Ok, quais poderiam ser os maus motivos para mudar”? 😊
Cliente: “Talvez a preguiça e já não ter tempo para jogar Padel 3X semana”. 😊
Eu: “Ok, de que forma esses maus motivos podem criar bons resultados profissionais para si e para a sua equipa?”;
Cliente: “Ui, imensos!!!!
E lá os explanou.
Por vezes, o impacto correto acontece pelos motivos errados. É aí que entra a “reformulação moral”. A persuasão e empatia funcionam melhor do que a pureza. 😊
A ILUSÃO DA PUREZA
A verdadeira mudança exige coligações: alianças desordenadas, diversas, por vezes desconfortáveis. Os ativistas práticos organizacionais não esperam que todos concordem em tudo. Sabem que o mais importante são os consensos.
Estratégia e Operações, Pessoas e Processos, Vendas e Controlling, todos têm os seus dogmas puristas, mas estes são irrelevantes no mundo líquido organizacional.
A ILUSÃO DA SINERGIA
Por fim, existe a crença de que todas as coisas boas naturalmente andam juntas. Muitos idealistas assumem que o progresso é um processo “limpo”, que resolver uma coisa resolve tudo. Mas o mundo real é mais confuso. Às vezes, é preciso fazer concessões. E apontar mais baixo para avançar. Isso não significa desistir dos ideais. Significa ser estratégico. Idealistas práticos avançam, mesmo quando o caminho é imperfeito. O Regresso do Jedi (Vader e Luke) e Thor: Ragnarok (Thor e Loki), são ótimos exemplos. 😊

A REALIDADE DA AÇÃO
Disto isto, considero que a Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz é um ecossistema orgânico de Consciência, Transformação e Ação para:
- Materializar uma Eficácia Atual nos processos, produtos, serviços e formas de trabalhar;
- Focar nos Impactos Futuros a criar nas Pessoas e Mundo, garantindo que produtos, serviços e soluções vindoiros são Exequíveis, Desejáveis, Viáveis, e Éticos.
AÇÃO
Somos a geração profissional mais capacitada e privilegiada de sempre. Isto significa que temos uma enorme oportunidade para fazer a diferença. Temos assim uma nova alavanca para uma nova definição de sucesso: criar o melhor impacto possível nas Pessoas e Mundo.
Mas para isso é importante reconhecer o que está a funcionar de forma fixe, nas nossas tarefas, processos, produtos e serviços. E o que ainda não está como queremos e necessitamos.
Abordagens Práticas – Coaching, Mentoring, Start Stop Continue; Critérios 80/20; Planos de Ação 5W2H; Produtividade Profissional, Matrix Now, How, Wow, Critical Thinking.
IMPACTO
A mudança não implica que se possa atingir a Transformação. A Mudança pode ser um output, uma Transformação é sobre outcomes. Para isso é importante ter clareza e critérios bem definidos sobre o que devemos priorizar, e escolhemos focar-nos nos maiores, mais negligenciados, mas também solucionáveis problemas da nossa organização e clientes.
Abordagens Práticas – Mapa da Empatia, Value Canvas, Jobs To Be Done, Design Thinking, Critical Thinking, OKRs, Matrix Now, How, Wow, Lessons Learned, Value to Task Canvas.
EMPATIA ADEQUADA
Vamos apostar na Empatia Organizacional – compreender os colegas, líderes, membros da equipa, tendo por base a sua personalidade, focos, drivers de motivação e formas de comunicar. Só assim conseguimos ter acesso a uma visão mais clara e completa do ecossistema – as empresas são projetos e as organizações são equipas.
Isso passa por apontar para a abundância e realização adequadas. Numa época onde tudo é imediato, impaciente e autocentrado, é importante levarmos em conta as gerações futuras e procurarmos ser bons antepassados. As organizações são um dos melhores palcos para isso – Evolução e Desenvolvimento Humanista das Pessoas.
Abordagens Práticas – Inteligência e Agilidade Emocional, DISC, Sensemaking, Estratégia Responsiva, Design Thinking, Critical Thinking, Coaching, Shadowing, Questões Abertas, Escuta Ativa.
MENTE ABERTA
É fundamental que os profissionais e organizações possam ver o mundo como ele realmente é, não como queremos vê-lo. Somos epistemicamente humildes: sabemos que o mundo é complicado, e há muitas coisas que não percebemos, ou sobre as quais não temos certezas. O “pequeno problema” é que estamos convencidos do contrário. 😊
O antidoto é cultivar uma mentalidade curiosa, inquisitiva e criativa, e não termos vergonha de mudar de ideias, experimentar e assumir sucessos e erros. Escolher destacar-nos na multidão, mesmo quando as nossas soluções parecem absurdas.
Abordagens Práticas – Design Thinking, Critical Thinking, Agile, Liberating Structures, Management 3.0, Inteligência e Agilidade Emocional, DISC, Feedback, Feedforward, Questões Abertas, Escuta Ativa, ADKAR, Design Especulativo.
BONDADE
Acredito de forma convicta que todos nós somos boas pessoas, e que foram modelagens, experiências e mecanismos emocionais e mentais não saudáveis de proteção e coping, despoletados em situações complicadas, que eventualmente fazem com que façamos coisas menos boas.
Sabemos que é preciso uma equipa para fazer a diferença. E assim é importante acreditar que todos têm talento.
Abordagens Práticas – Coaching, Mentoring, Impact/Potential Deployment, Business Karma, Shadowing, Feedback, Feedforward, Liderança Situacional, Performance Management, Design de Equipas, Liberating Structures.
ENTUSIASMO, PERSEVERANÇA, EQUILÍBRIO
Isto da Ambição Organizacional E.3 é bem fixe, mas pode ser desgastante. Porque pede resiliência (movimento) aceitação (surrender), principalmente em momentos menos bons e onde os resultados não são os esperados.
Ao mesmo tempo, há mais na vida do que trabalho e ambição. Temos entes queridos, hobbies e outros interesses. Queremos viver vidas ricas, plenas e equilibradas. É importante percorrer esta jornada em ritmo maratona, não em sprint.
O caminho do meio é uma estrada larga, com faixas e rails, não é uma linha reta estática.
Abordagens Práticas – Todas as anteriores + Self Leadership. 😊
O BOM REBELDE
És um Bom Rebelde? 😊
“Na sua forma mais despretensiosa, quebrar regras é, na verdade, saudável“, diz Zhen Zhang, da Universidade Estadual do Arizona.
Por vezes, é preciso quebrar as regras para acender uma centelha. Os Bons Rebeldes não se limitam a iniciar fogos — escolhem quando e onde os acender. Fazem-no com um propósito e humanidade!
Sabem exatamente quais as regras que vale a pena quebrar e, mais importante, porquê. Em nome do Progresso, questionam práticas ultrapassadas, desafiam a burocracia e falam quando regras rígidas atrapalham.
Bons Rebeldes quebram as regras quando sabem que o rácio benefício/consequências vale a pena.
Pergunta do Algodão – Quando as apostas são altas, cumpririas as regras ou farias o que é correto?
Para os Bons Rebeldes, valores e resultados andam de mãos dadas, no âmbito individual, de equipa e organizacional.
Pergunta do Algodão – Quando a oportunidade é tentadora, aproveitarias ou seguirias os teus valores humanistas e comuns?
Bons Rebeldes fazem o que é certo, não o que é fácil ou conveniente. Mais importante ainda, não quebram as regras para benefício próprio. Fazem-no para apoiar o bem coletivo.
Pergunta do Algodão – Quando surgir a oportunidade, vais seguir o caminho seguro/fácil que te beneficia, ou vais quebrar as regras para ajudar a equipa?
A Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz deve então ser regida por um protocolo de 3 dimensões simultâneas:
- Priorizar Resultados/Impactos;
- Cultivar Valores Organizacionais;
- Oferecer Ganhos Coletivos.

CODA
Aqui está uma questão poderosa que podemos colocar já:
“O que estamos a fazer hoje que as gerações futuras irão acha impensável?
Uma questão pertinente que as gerações futuras irão certamente colocar:
“Como é que eles permitiram que isso acontecesse?”
Rapidamente se percebe que temos muito com que nos entreter como profissionais e organizações. E que se calhar temos de ser Bons Rebeldes de forma mais deliberada e consistente. 😊
Quando falamos de Ambição Organizacional E.3 – Evolutiva, Ética e Eficaz, penso que pode ser interessante e pertinente sermos Piratas no seio da Marinha. 😊
Pois só assim conseguimos combinar idealismo com ambição empreendedora. Para causar um impacto significativo nos maiores problemas do mundo, usar talentos e recursos de forma eficaz, priorizar o bem em vez de parecer bem, e construir movimentos para a mudança evitando o esgotamento do idealismo.
E trabalhar no sentido das Protopias. Utilizando a incomensurável riqueza de conhecimento, experiência, recursos e competências profissionais que existem aos dias de hoje.
Obrigado, Abraço e Fica Bem,
H