Rebel Leaders (with a Cause)

Rebel Leaders (with a Cause)

Rebel Leaders (with a Cause)

1080 720 Hugo Gonçalves

Rebel Leaders

Nesta altura do Natal e Fim de Ano, tendencialmente escolhemos o caminho da tranquilidade, da reflexão introspetiva e das intenções pacíficas para agirmos de forma diferente.

Então, a proposta que tenho para o artigo de hoje é seguirmos em conjunto o caminho exatamente oposto – o do risco, da rebeldia, da disrupção, da incerteza.

E não é apenas por eu ter uma costela de “contra o sistema”. 🙂

De facto, a única forma de se transformar qualquer sistema em algo melhor é estar dentro dele, identificar o nosso radar de influência e decisão e trabalhar focado nesse ponto de transformação. Como disse Gandhi, nós próprios temos que ser a mudança que desejamos ver no Mundo. Self Leaders.

Eu acrescento que temos que ser Rebeldes. Com uma Causa. E o primeiro lugar onde essa rebelião deve começar dentro de nós.

Então como se pode criar uma Rebelião Positiva dentro de nós próprios, no âmbito profissional de Liderança e Gestão?

O meu trabalho como Coach, Consultor Colaborativo e Facilitador está suportado em atividades de “rebeldia alinhada prática” que permite de forma orgânica um trabalho intuitivo de Consciência, Transformação e Ação, de Pessoas, Equipas e Negócios (Produtos, Serviços e Processos).

Acredito de facto que ser Rebelde é uma competência necessária para sermos bons líderes e gestores – Rebel Leaders. E ser rebelde não é ser contra algo, é ser a favor de algo melhor, equilibrado e human centric.

Assim sendo, obviamente que esta abordagem implica um paradoxo – Pessoas e Organizações devem ser adolescentes e adultos de forma simultânea:

  • Em primeiro lugar, Adolescentes na alegria, perspetivas, imaginação e que é possível fazermos coisas boas rasgando o “by the book”.
  • Em seguida, Adultos no sentido de existir uma consciência coletiva sobre quais as metodologias, interações e comportamentos a utilizar em contexto de divergência (cabeça no ar, inovação, ideação) e convergência (definir prioridades e decisões, escolher as tarefas e equipas e “projetizar” as atividades).

No seu livro, Rebel Talent, a cientista social Francesca Gino argumenta que os líderes devem encorajar a rebeldia corporativa e que esta poderá trazer uma maior realização às pessoas e criar uma cultura mais aberta, orgânica e saudável nas empresas. Estou totalmente de acordo.

Quando falo em Rebeldia, não falo de jovens a hackear tudo e mais alguma coisa, ou gestões intermédias a serem desrespeitosas com as suas hierarquias, clientes e parceiros. Não é sermos rebeldes só por ser.

Acima de tudo, falo mais num conceito de rebeldia materializada através do auto-conhecimento próprio, curiosidade genuína pelos outros e pelas suas competências e de conseguirmos de alguma forma “quebrar” as regras (leia-se hábitos) que impedem a exploração de novas ideias ou o equilíbrio e o bem-estar de todos.

Se o que leste até agora te causou alguma curiosidade e vontade de fazer diferente, estão existe um Rebelde Corporativo  em ti. 🙂

Os traços que os Rebeldes Corporativos possuem em comum são normalmente uma procura pelo novo, uma curiosidade pela sua área e/ou ecossistemas adjacentes e até mesmo longínquos, um sentido de perspetiva, um gosto enorme por interagir com pessoas e pontos de vista diferentes e uma paixão enérgica e disciplinada em serem eles próprios e autênticos .  

Mas como poderão então Líderes e Gestores – Rebel Leaders – navegar em todo este caos, energia e “descontrolo”? Como podes ser um Rebel Leaders/Manager?

Promove momentos fora da Rotina

Os locais, os processos, as ferramentas de gestão são perpetuadores de hábitos de reflexão racional e execução lógica. O VUCA  já não permite isto. É necessário criar momentos formais de exceção ou afastamento do que é a rotina e hábito que nos possam trazer para o contacto com as nossas inteligências múltiplas.

Procura propositadamente opiniões e visões diferentes

Em vez de procurar e ouvir de forma consistente alguém que pensa como nós, os Rebel Leaders contrariam esse instinto e encontram formas de ter acesso a visões diferentes e mergulhar em discussões saudáveis . Se tens o poder de contratar a tua equipa, contrata alguém que seja boa pessoa e que ao mesmo tempo possa permitir-se não concordar contigo.

Sê tu próprio – adaptado ao contexto e pessoas que te rodeiam

Os rebeldes raramente escondem quem realmente são e não costumam ter o hábito de tentarem ser quem não são. Fazem isso com uma inteligência emocional elevada para que possam comunicar aos outros as suas forças e pontos de melhoria. Essa transparência leva a que ganhem a confiança, respeito e admiração dos outros.

Aprende o máximo que conseguires. Esquece o máximo que conseguires

É necessário colocar em prática a neuro plasticidade (racional) e o desapego (emocional). Para conseguirmos acompanhar estes tempos de VUCA, temos que saber o que é que anda aí, o que é que precisamos saber ou dominar, e o que teremos que abdicar ou o que já não faz sentido fazer. E estar abertos e recetivos a essa abundância e possibilidades de mudança.

Encontra a liberdade nas restrições

Por paradoxal que pareça, são as restrições e os momentos difíceis que conseguem extrair no nosso íntimo o nosso melhor. As restrições são um ótimo ecossistema de inovação e transformação. São um tufão que o rebelde aproveita ao saber cuidar e orientar muito bem as velas do seu navio.

Lidera nas Trincheiras

Colocar as mãos na massa, sujar as mãos, ir ao local onde as coisas acontecem, fazer o que é preciso para a entrega de valor e não basear essas decisões no que é suposto hierarquicamente fazer. Somos Pares, somos todos Um.

Para tudo isto ser uma Realidade, reafirmo que a maior Rebelião deve começar em primeiro lugar dentro de Mim e de Ti. E isso só acontece através de uma boa interação entre a Ação&Aceitação e saber quando é que cada uma delas faz sentido.

Por fim, deixo uma frase do Bhagavad Gita, um dos maiores textos religiosos hindus:

“Tu apenas tens direito a agir, nunca a ter a certeza de receber os frutos dessa ação”

Do que sei sobre Rebeldia, parece-me uma verdade insofismável.

Porque a melhor forma de sermos livres não é uma vida sem responsabilidades, é ter uma vida desenhada para que possamos ser nós a escolher as responsabilidades que queremos assumir e que fazem parte do nosso Caminho.

Obrigado e Abraço,

Hugo

P.S. Se quiseres avaliar qual o teu nível de Rebel Leaders/Managers, utiliza este Assessment criado pela Francesca Gino.

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