Chief Questions Asker (Parte 2)

Chief Questions Asker (Parte 2)

1000 750 Hugo Gonçalves

Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas

CONFÚCIO

Chief Questions Asker – Práticas e Acionáveis

No artigo anterior partilhei como as questões podem ser uma bussola invisível para podermos navegar no vazio da incerteza, da disrupção e das possibilidades.

E como definem de forma critica o equilíbrio, sustentabilidade, performance e inovação dos Profissionais e Organizações.

A Interrogação Inovadora, que explora a divergência de formas de pensar, fazer, sentir e criar a 720º, terá cada vez mais de ser vista como sendo uma habilidade e competência como outra qualquer e que se sincroniza com outras como a Comunicação, Escuta Ativa, Inteligência Emocional e Facilitação, por exemplo.

Hoje partilho contigo a forma como podes fazer a transferência desses conceitos para a tua realidade profissional e organizacional.

São as abordagens que utilizo, tendo por energia base as Questões e como estas alimentam a galáxia da Engenharia Organizacional e as suas 3 constelações:

PESSOAS – O INDIVÍDUO

Se acompanhas o blog há algum tempo, certamente encontras em muitos dos artigos a referência à Auto Liderança, que cada vez mais se assume como uma das nossas maiores fontes de robustez interna e que nos permite estar de mente e coração abertos à mudança e evolução.

Ser um líder, manager ou técnico/especialista pode proporcionar uma viagem paradoxal relativamente ao que são as interações – contigo mesm@ e com os outros:

  • Atividade / Contexto solitário onde muitas vezes é complicado refletirmos sozinhos sobre assuntos importantes;
  • Interações coletivas muito dinâmicas e voláteis a partir do momento que interagirmos com as nossas equipas, pares, clientes e fornecedores externos e internos.

Cada vez mais o que um Líder e Gestor “gere” são Prioridades, Energia, Sonhos, Possibilidades, Interações, Comunicação, individuais e da equipa.

Ser o nosso própri@ CQA – Chief Questions Asker pode ajudar a trazer o equilíbrio à Força. ?

Para isso o Coaching e a Appreciative Inquiry são exemplos de abordagens espetaculares, pois permitem uma Consciência, Transformação e Ação auto responsabilizantes.

Têm por base a integração dos nossos Valores, Aspirações, Decisões e Ações para se poderem atingir os resultados Eficazes para os contextos ou temáticas em que é importante existir uma Evolução.

Sendo professor na Certificação Internacional em Profissional Coaching na ICU International Coaching University, o meu trabalho em alguns dos módulos é preparar os participantes para poderem ser proficientes em muitas dimensões que estão associadas às questões – escuta ativa, perspectivas abertas, utilização da linguagem do interlocutor, seguir o percurso de consciência, transformação e ação.

Partilho aqui perguntas/questões que podem trazer clareza, decisão e performance, na perspectiva do indivíduo:

// Qual é o objetivo, meta ou resultado a alcançar, questão a resolver, necessidade de evolução ou transformação?

// Qual a história que está por detrás dessa necessidade? O que torna este tema relevante agora?

// Qual o estado atual no que ao tema diz respeito? O que está a acontecer em ti e ao que te rodeia?

// O que já estás a fazer neste momento para de alguma forma atingir determinada solução ou resultado? Que impactos estás a ter dessas ações?

// Que recursos e crenças internas potenciam o atingir desses resultados? Que recursos e crenças podem ser mais limitantes? Como podes potenciar os primeiros e mitigar o impacto dos segundos?

// Que ações podem materializar cada uma das possibilidades anteriores? Qual a sua sequência ou estrutura? Quando as vais implementar/executar?

// Como se sentes perante este percurso e sobre as decisões que tomaste e as ações com as quais te comprometeste?

INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL – PRODUTOS, SERVIÇOS, CLIENTES E AS NECESSIDADES DAS PESSOAS E DO MUNDO

Muitas das empresas mais disruptivas e inovadoras surgiram, cresceram e estabeleceram-se tendo por génese gaps, vazios e falta de resposta dos produtos atuais na altura, para conseguirem resolver os problemas de muitos dos seus fundadores ou no seguimento de um mau serviço e “injustiça” que ocorreram.

Então questões como:

  • Não existe forma de fazer isto de uma outra maneira?
  • Será mesmo necessário todo este processo e confusão?
  • Este produto não deveria ter esta funcionalidade?
  • Como posso fazer para utilizar “isto” para uma outra funcionalidade e necessidade?
  • E se isto fosse feito de uma outra forma?

Alimentaram a curiosidade, aspirações e a criação de novos produtos e serviços. @s Chief Questions Asker fazem essa energia circular!

O Design Thinking utiliza as questões para contrariar a miopia e auto-centrismo que normalmente (e que é humanamente natural) surgem na forma como percepcionamos o valor, numa perspectiva interna do nosso trabalho, produtos e serviços.

Na minha visão, e como filosofia de inovação e materialização de novas soluções e impactos, o Design Thinking “começa” por uma questão primordial (que depois se desdobra em outras obviamente):

O que é que as Pessoas e Mundo precisam?

Esta perspetiva Human-Centric leva-nos depois ao exercício da Empatia, que nos faz imergir no quadro de referência, pains&gains, necessidades, expectativas, receios e aspirações dos Clientes e Utilizadores.

A isso eu chamo Valor.

Seguem-se então duas questões primordiais:


“E Se…?

É uma questão que despoleta o desapegar do atual e a nossa projeção no éter do futuro, do novo e da possibilidade. Sabemos quais os insights, aprendizagens e necessidades mais prementes a satisfazer ou solucionar e isso serve de farol. 

Aqui tudo é possível de ser imaginado e questionado. Assim evitamos os pontos cegos, preconceitos, pressupostos e crenças limitantes.

Apostamos nas Possibilidades, não nas restrições. 

De forma formal e deliberada ou de forma caótica e espontânea, ocorre algo. Tecnicamente muitos denominam isto de brainstorming, eu vou mais pela manifestação integrativas de todas as nossas inteligências múltiplas. ?

Porque nesta dinâmica somos criativ@s pela novidade, corajos@s por colocar em causa, empátic@s porque temos um propósito e ativ@s porque apesar de ser apenas uma ideia, queremos fazer acontecer e assim o sentimos.

“Como Faço Para…?”

É uma reformulação das necessidades do utilizador/cliente que foram descobertas nas etapas anteriores do Design Thinking:

  • “COMO” – sugere que ainda não temos a resposta. Ajuda a explorar uma variedade de possibilidades, em vez de simplesmente executar sobre o que “pensamos” ser a solução.
  • “FAZEMOS” – Enfatiza que nossas respostas são possíveis soluções, não a única solução. Também permite a exploração de múltiplas soluções possíveis, e significa que não vamos aceitar a primeira ideia que vem à mente.
  • “PARA” – Traz imediatamente o elemento de colaboração. Lembra-nos que a ideia para a solução ideal provavelmente virá do coletivo e colaborativo trabalho de equipa.

Exploramos o “Como” através da amplificação do bom, mitigação do menos bom, explorar opostos ou paradoxos, utilizar analogias e comparações, colocar em causa o status quo e transformação criativa do negativo em algo espetacular.

As questões têm ainda um papel superimportante na abordagem da prototipagem e testes de ideias, produtos, serviços, iniciativas, eventos, formações, workshops ou qualquer outra “coisa” que possa ter como objetivo final a compra, utilização, influência e impacto num cliente e utilizador final.

  • O que tem de ser verdade para que a(s) tuas(s) ideia(s) funcionem (hipótese, suposição ou intuição)?
  • Como vais testar se essa hipótese é verdadeira ou falsa?
  • O que vais medir para (in)validar a tua hipótese?
  • Como é o sucesso? Qual é o limiar?

CULTURA, EQUIPAS E FLUXOS DE TRABALHO

Também aqui as perguntas/questionar podem trazer impactos maravilhosos e perenes no que ao dia-dia de comunicação, colaboração, partilha e sincronização dos talentos, experiência e agendas ? das pessoas diz respeito. @s Chief Questions Asker também aqui podem ajudar!

Ter as Pessoas “afinadinhas” ? e termos ideias maravilhosas e centradas nas Pessoas e Mundo não adianta de nada se depois não existe um ecossistema – leia-se o dia-a-dia – onde o florescimento das Pessoas e Implementação das Ideias ficam condicionados pela forma como comunicamos, aprendemos, decidimos e trabalhamos em conjunto – A Cultura Organizacional.

Para mim o melhor teste do algodão da cultura de uma organização é observar o que se lá se passa quando o “chefe” não está. ?

Comecei a considerar aguardar em halls ou salas de espera quando vou para reuniões ou para realizar projetos como parte do meu trabalho e não um momento morto ou de seca.

É um assessment e sensemaking magníficos. Dá para sentir o ambiente, dá para reconhecer a energia das pessoas e sítio. São muitos anos de Métis. ?

Através das questões, tornamos explícitos quais os princípios chave e valores que animam as equipas.


Podemos continuar a indagar sobre quais as dimensões e processos organizacionais – liderança, conhecimento, comunicação, execução, gestão da mudança, etc. – que estão a criar os impactos devidos e quais onde existem gaps e ou que até estão a funcionar como sorvedores de energias e fontes de toxicidade.

A partir daí, refletir através das questões sobre quais serão as prioridades da cultura organizacional, tendo em conta as respostas que surgem e quais os comportamentos individuais e de equipa que as vão potenciar e aqueles que poderão mitigar os resultados, performance e transformações que se tornaram relevantes.

Todo este percurso define o que chamo a Cultura Essencial.

Mas existe também a Cultura Emocional, que basicamente tem a ver sobre a forma como mutuamente florescemos como profissionais.

Questões como:

“Como podemos criar um ambiente seguro, descontraído e transparente para que todos possam intervir e colaborar respeitando a sua individualidade e mantendo a responsabilização”?

Ou

“Como é que podemos fazer uma partilha cruzada e polinizada da experiência, lições aprendidas, de casos de sucesso e de situações onde podemos aprender com os erros, resultados ou processos que não correram bem?”

São algumas questões que normalmente coloco aos líderes, managers e equipas quando trabalhamos juntos em workshops ou projetos de transformação organizacional.

Estamos então preparados para cocriar a Cultura Funcional que é, através das questões, imaginar como podemos decidir, comunicar e sincronizar tarefas e agendas da melhor forma.

Aqui o foco é mesmo o materializar de tudo isto no dia a dia, como fazemos com que o sangue, oxigénio, nutrientes e afins percorrem as artérias e veias da empresa.

As respostas poderão ser “materializadas” através de ferramentas ágeis para gestão de tarefas, projetos e respetivas ações e validações como quadros físicos Kanban ou com ferramentas digitais como o Trello, Miro, Jira ou afins.

CODA

Estive aqui a falar muito sobre questões e perguntas, mas obviamente que o corolário das mesmas são caminhos, estratégias, possibilidades e respostas. Chief Questions Asker são os curadores de tudo isto!

O que normalmente acontece é que temos respostas para tudo, mas estas são apenas verbalizadas e muitas vezes estão “contaminadas” com os nossos viés, hábitos e quadros de referência.

Uma boa resposta deve estar visual, escrita, materializada num post-it, caderno, quadro, parede ou em qualquer outro meio físico ou digital.

Apesar de ser um fã do quântico e de, desde a espiritualidade até à inteligência artificial, esta dimensão estar cada vez mais presente, sou também grande adepto do material, corpóreo, daquilo que pode ser acionável, materializado e transposto para ações e comportamentos.

Por isso, de forma individual ou em equipa, regista, desenha ou escreve as respostas em qualquer tipo de meio. E que estas fiquem visíveis, sendo bússolas subtis sobre o que realmente é importante e qual o propósito que levou às mesmas.

@s Chief Questions Asker podem ser os facilitadores internos de vários binómios da Evolução das Pessoas e Organizações – a Exploração e a Decisão, a Pergunta e a Resposta, a Contribuição Individual e a Geração de Consensos em Equipa.

Para além de estimularem a criatividade, as questões dão um superpoder que considero primordial para estarmos sempre em cima da jogada:

As questões dizem-me o que eu ainda não sei, e essa “informação privilegiada” é fabulosa.

ATÉ JÁ! ?

Aproveito para te desejar uma de duas – Boas Férias ou Bom Regresso das mesmas, visto que o blog e o seu colunista ?vão entrar num período de Slow Living.

E que, mais do que à procura de respostas, possas estar abert@ a questionar, colocar em causa e imaginar novos futuros e, aguardando serenamente, ver o que daí surge!

Obrigado, Abraço e Fica Bem,

H

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