Os 3 lados da mesma História

Os 3 lados da mesma História

Os 3 lados da mesma História

600 450 Hugo Gonçalves

Os 3 Lados de uma História? Hein? 🙂

Uma das vantagens do meu trabalho é que tenho a oportunidade e a felicidade de interagir com quase todas as partes interessadas dos projetos de desenvolvimento de Lideranças e Capital Humano, Inovação Organizacional e Equipas/Cultura, que realizo e facilito.

Em algumas dessas interações deteto (porque obviamente estou num papel de observador) que se vive uma espécie de dualidade e “transe” :).

Entre quem me contacta, quem participa na cocriação dos workshops e projetos, quem avalia e decide se eles avançam e quem os recebe, e sobre como percecionam o seu papel individual, as responsabilidades e resultados que esperam dos outros e as suas interações no ecossistema organizacional.

A Realidade em que todas estas pessoas vivem é basicamente semelhante, mas a perceção da mesma é, em alguns casos, muito diferente e desalinhada. O que leva a que existam mais pontos de afastamento do que propriamente pontes consistentes e alinhadas entre eles.

Grande parte do meu trabalho é esse:

  • Ser o piloto de um helicóptero onde caibam todos os que podem contribuir para a criação de valor, para que individualmente ou em equipas as pessoas possam sair da perspetiva da árvore e verem as florestas – as suas e a dos outros;

  • Viajar com eles num processo de definição de questões importantes, estado atual, o que precisa de ser diferente, como o fazer de forma diferente e como implementar;

  • Colaborar na tradução simultânea de todas estas análises, criações e decisões porque mesmo dentro da mesma empresa existem idiomas bastante diferentes; 🙂

Normalmente costuma-se dizer que existem dois lados para a mesma história. Essa perspetiva de apenas duas dimensões está completamente desalinhada com os desafios atuais das Pessoas e Organizações.

Existem sempre 3 “visões” da mesma história e contexto. Uma visão 3D. A minha visão, a tua e a Realidade ou Verdade, como queiras definir.

Já não podemos trabalhar num sistema binário de sim ou não, 0’s e 1’s. A escolha é participar em algo mais completo, mais orgânico e que permita explorar novas formas de atingirmos o que cada organização considera ser o sucesso para as suas Pessoas e Negócio.

Devo realçar que os colaboradores sentem o sucesso da seguinte forma:

  • Sucesso Funcional (dinheiro, conhecimento, treino, oportunidade de trabalharem em temáticas diferentes, recursos);

  • Sucesso Emocional – ter a oportunidade de sentirem-se num ambiente de equilíbrio, verdade, partilha, entrega e energia, feedback; não terem que mudar a sua forma de ser para encaixar em algo como a cultura e a forma de trabalhar;

  • Sucesso de Segurança – segurança psicológica, transparência nas regras de interação, o erro ser percecionado como uma aprendizagem e resultado, etc.;

Porque é que apenas vemos e sentimos estas coisas em 2D quando somos seres magnificamente ricos e com competências para fazer melhor e diferente?

Acho que tem a ver com a nossa maior ferramenta de diferenciação – o cérebro, ou melhor a mente e a sua (exótica) conexão com as emoções e recordações. 🙂

Apesar de o nosso cérebro ser uma máquina brutal em algumas coisas, é algo totó em outras.

Nomeadamente, tendo em conta os estímulos, informação e desafios cada vez mais emocionais e menos materiais que temos na nossa vida, não está devidamente preparado para funcionar de forma relativamente fluída e pacífica com o que considero Wholeness – sermos um Todo.

Isto significa saber lidar internamente e externamente com algo que não seja concreto, lógico, seguro, e que é potencialmente confrontador na perceção que temos de nós e do mundo e que isso não abale os nossos alicerces, valores, valor próprio ou estabilidade.

A mente é uma criança mimada – deseja a atenção completa, é viciada em controlo e segurança e usa a informação (memórias, comparações e registos emocionais anteriores) como base de dados, como se fosse um algoritmo ou padrão.

E muitas vezes criamos historias de dualidade e não as histórias 3D de que tenho vindo a falar. Ou sejam não vemos o Real e o Verdadeiro.

Se reparares, isto pode acontecer em várias situações no teu dia-a-dia profissional:

INDIVIDUAL – Líderes e Gestores

  • Quando “sabes” qual a melhor decisão/ação a tomar mas isso choca com os conflitos internos que poderás sentir em lidar com os impactos/consequências para a organização, colaboradores, clientes e sociedade;
  • Quando te precipitas a retirar conclusões, antes de conheceres a história toda e escutares todos os envolvidos;

EQUIPAS / ORGANIZAÇÃO

  • Quando os líderes e gestores consideram que as equipas podem fazer mais (normalmente o foco é sempre “no mais” e curiosamente não “no melhor”) e quando as equipas contrapõem com a falta de informação, participação, comunicação e alinhamento;
  • Quando os departamentos da mesma empresa não têm noção do trabalho, desafios, objetivos de outros departamentos ou funções de suporte e assumem que todo o resultado não desejado ou de sucesso advém da palavra competência e não das palavras contexto e ecossistema;

ORGANIZAÇÃO E CLIENTES

  • Quando criamos o que achamos que o cliente quer, não o que precisa e realmente deseja;
  • Quando estamos mais focados em contar a história, features, características dos nossos produtos e serviços em vez de escutar quais são os pains & gains dos nossos cliente e só aí explicar como a nossa oferta de valor pode criar impactos funcionais, emocionais e proporcionar de facto uma vida melhor;

Robert Evans disse que existem sempre três lados em qualquer história: o meu, o teu e a Realidade. E nenhum de nós está a mentir ou errado. Acontece apenas que as nossas memórias partilhadas e emoções individuais conjugam-se de forma diferente em cada um de nós.

Só trabalhando a integração das nossas estruturas lógicas (Conhecimento) com a aceitação/regulação da forma como sentimos e estamos conscientes das nossas sensações e reações (Emoções) e termos consciência de quais as fake news que ainda existam sobre nós próprios e os outros (Crenças e Julgamentos) é que consiguiremos ser mestres da nossa Self Leadership e do loop contínuo e em 720º graus entre nós e os outros.

Alguns chamam-lhe Inteligência Emocional, eu chamo-lhe Leadership and Business Wholeness.

Grande parte do sucesso e equilíbrio do Capital Humano e da Inovação Organizacional está dependente esta visão comum de Realidade, para que seja a mais aproximada possível a algo tão importante, embora cada vez mais difuso, que é a Verdade.

Faz sentido?

Obrigado e Abraço

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