Cérebro e Mente: A Batalha Final (parte II)

Cérebro e Mente: A Batalha Final (parte II)

Cérebro e Mente: A Batalha Final (parte II)

600 540 Hugo Gonçalves

A grande questão é a seguinte:

Neste momento da nossa evolução como espécie e tendo em conta o mundo que nos rodeia, é muito complicado o botão vermelho das nossas emoções mais primitivas ser apenas gerido por uma parte no nosso cérebro.

 

Foi assim que terminei a primeira parte desta “saga”, como uma amiga minha lhe chamou. 🙂

Todos nós escutamos desde muito novos e ainda nos dias de hoje a expressão:

Controla-te, não te deixes dominar pelas emoções

E é este o ponto de partida desta batalha. Um jogo de forças e contrapoderes que gira à volta do controlo e da recompensa de obtermos o que desejamos agora e a qualquer custo e a moderação e consciência de olhar as coisas de uma forma mais global e estratégica e simplesmente dizer não ou tomar as melhores decisões.

Todas as organizações possuem regras não escritas bastante explícitas e poderosas.

As perceções dominam os factos. O “Achismo” torna-se em evidências e em factos. E quanto mais depressa um líder ou gestor que abraça um projeto e responsabilidade novos conseguir perceber e alinhar com essas “regras”, menos “problemas” vai ter.

Pode de facto ter uma vida mais descansada, mas a organização vai sofrer danos irreparáveis com essa abordagem.

Manter e deixar andar ou desconstruir para criar algo novo, robusto e ágil. Um eterno desafio.

 

A batalha final são as tensões entre as nossas áreas cerebrais e respetivos circuitos que se encontram numa zona pré-frontal (atrás da testa) e a nossa amígdala. A luta entre o Ego ou a Identidade, como Freud diria.

Os circuitos pré-frontais funcionam como o centro executivo de aquisição e interpretação de dados, bem como centro de decisão. Quando no seu melhor, somos “mágicos” a nível da lógica, estrutura e até bom senso. Logo somos mais ágeis e concretos nas decisões e ações.

A amígdala possui uma localização privilegiada no nosso cérebro. A função principal é captar sinais e tomar aquelas decisões apresentadas anteriormente – lutar, fugir, congelar. A questão é que essas decisões primárias despoletadas por estes circuitos mais impulsivos tomam a nossa parte lógica e emocional como reféns.

O resultado disso é ficarmos zangados, com medo ou procurando rapidamente mecanismos de compensação, controlo e prazer.

Um dos sinais onde rapidamente se percebe que formos “raptados” pela amígdala é quando fazemos ou dizemos algo do qual nos arrependemos logo no momento a seguir.

 

O Processo

Este rapto não é assim tão óbvio e imediato. Um exemplo é quando temos divergências com os nossos líderes, pares ou equipas e que estas se mantêm ao longo do tempo e aparentemente não podemos fazer nada. Todos os dias são desgastantes. Nesse caso, a nossa estratégia é fazer adaptações parciais, segurar frustrações e lidar com níveis massivos de hormonas de stress como o cortisol (esta hormona é fantástica quando em doses equilibradas).

Estas hormonas de stress vão fazer um crédito! Ou seja, pedem energia emprestada a outras reservas biológicas e fisiológicas que temos como por exemplo o sistema imunitário. E assim se explica que em fases de maior desgaste, stress, desafios que são difíceis de ultrapassar nos tornamos muito suscetíveis a qualquer agressão como uma constipação, etc.

Um dos maiores indicadores de maturidade enquanto profissionais é conseguirmos aumentar o gap entre o impulso e ação. Chama-se a esta habilidade a inteligência emocional – auto consciência, auto regulação, motivação para interagir melhor com os outros, empatia e desenvoltura social.

Assim, como decisores e influenciadores, conseguirmos identificar e aceitar internamente os impulsos e emoções mais reativas e focar na eficácia das decisões e não na eficiência em apagar fogos é crucial!

Com a calma, vem a Clarividência.

 

A Mudança

O fantástico é que todas estas competências podem ser aprendidas, trabalhadas e desenvolvidas. Eu acredito até que elas apenas precisam de ser recordadas, pois todos nós já possuímos muito daquilo que achamos precisar.

Não é necessário ficarmos à mercê das nossas amígdalas. Algumas abordagens interessantes como a meditação, atividade física, descansar, não fazer nada, criar momentos programados de paragem, fazer de propósito coisas aborrecidas, permitem que nos tornemos competentes a identificar quando é que esses impulsos vão surgir….

 

Trabalhamos a Atenção Plena! E isso dá-nos tempo para podermos fazer uma escolha interna. Dá-nos liberdade!

 

E isto faz toda a diferença. Promove abertura, que as conversas seja concretas e objetivas e não vagas e com segundas agendas. Permite clareza. E a clareza é uma das fontes de energia mais fortes para a mudança.

E o alinhamento é uma consequência e não um objetivo dessa “Franqueza Organizacional” – ver o artigo “Radical Candor” ou a Sinceridade nas Organizações

 

Mas só isto não chega para as Organizações atingirem o pináculo – o alinhamento perfeito entre os Objetivos Organizacionais e os Colaboradores. Este processo terá que ser mesmo isso, um processo. Com fases divergentes e convergentes, cabeça no ar e pés no chão, com energia positiva mas também com conversas e difíceis.

Diria que o próximo desafio para as Organizações será algo “espiritual”:

 

Viver em Verdade!

 

As que o conseguirem fazer vão sem dúvida ganhar a batalha!

 

Obrigado e Abraço,

Hugo

 

 

 

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