A Organização “Janus”

A Organização “Janus”

A Organização “Janus”

1600 1441 Hugo Gonçalves

“O verdadeiro foco e equilíbrio encontra-se algures entre a agitação e a serenidade”
dialogo do filme X-Men First Class

Na mitologia romana, Janus é o deus da mudança, das transições, da ligação entre o passado e o futuro. Janus é o deus dos inícios das decisões e das escolhas.

Segundo a História, Janus mediava o início e o final dos conflitos, tendo assim um papel de curador e pacificador. Em tempo de guerra as portas dos seus templos estavam abertas e quando da paz, fechadas e todos os seus elementos recolhidos.

Apresento aqui esta breve nota histórica para introduzir uma nova abordagem para as empresas que desejam ao mesmo tempo “viver” uma agitação controlada que permita a agilidade, inovação e o desenvolvimento, ao mesmo tempo que também se proporcionam espaços de reflexão e diplomacia, no sentido de se identificarem os problemas e decisões mais importantes e encontrar a melhor forma de encarar essas questões.

Recentemente encontrei um fantástico artigo na revista Fast Company (edição online), onde se apresentavam as novas profissões que irão existir em 2025. Desde o Pastor Urbano, o Conselheiro de Privacidade e o Desintoxicador Digital, chamou-me a atenção em particular o que eles denominam por Corporate Disorganizer, que traduzi de forma livre para Agitador Corporativo.

Cada vez mais as grandes empresas e mesmo outras que estão geridas através do tradicional sistema hierárquico estão a ser ultrapassadas por pequenas empresas, start-ups e mesmo indivíduos. Com estes “business pirates”, as ideias florescem, as lideranças são dinâmicas e colaborativas e atuam pelo exemplo e serviço, o que lhes permite uma adaptação muito mais rápida. Nesse contexto, o Agitador Corporativo será um especialista que irá implementar um “caos organizado”, para promover o intra-empreendedorismo e sistemas colaborativos que sejam alimentados pela energia da mudança, do colocar em causa e da honestidade organizacional ao nível das decisões e fluxos de informação.

Ao ler este “profissiograma”, veio-me à ideia que poderá fazer todo o sentido existir uma cadeia de valor da organização que se dedica a promover a agitação e a reflexão. Onde existem profissionais que se dedicam a combater de forma específica a inércia e a promover o desenvolvimento do capital humano, transformando o potencial das pessoas em performance.

Nesse sentido, porque não as empresas recorrerem desde já a estas competências? Melhor ainda, porque não concretizar o papel de Janus (ligação entre passado e futuro, mudanças, transições) no meio empresarial? Como é que isto poderia ser realizado?

O Agitador Corporativo identifica as zonas de inércia e mau aproveitamento de potencial. Cria um sentido de urgência na organização, comunicando a todos de que forma o ritmo e evolução do negócio e dos clientes pode ser uma oportunidade (se algo for feito) e uma grande ameaça (se não se fizer nada). Realiza o observatório de mercado, procurando ideias, abordagens, ferramentas e metodologias de outras áreas de negócio ou até mesmo da natureza e enquadra-as com as reais necessidades da organização ou com os problemas que esta deseja resolver;

O Coach Corporativo ajuda a gerir toda esta mudança e agitação. Tendo em conta os desafios proporcionados pelo Agitador Corporativo, facilita nos líderes, gestores intermédios e colaboradores o abraçar da mudança. Calibra as percepções pessoais de competências, de flexibilidade, sendo assim o “espelho” da real capacidade e contributo que cada um pode dar à organização. Com as perguntas que coloca, faz com que os seus interlocutores interiorizem o que de facto é importante, quais as decisões que devem ser tomadas, que assuntos devem ser reflectidos.

Esta dupla profissional materializa os comportamentos que uma organização ágil, que entrega valor, experiências, bem-estar e que resolve problemas deve interiorizar no seu dia-a-dia:

  • Procurar sempre algo novo;
  • Customizar o novo ao contexto e negócio da organização;
  • Desenvolver as competências (conhecimento e agilidade perante a mudança);
  • Agir, Implementar;
  • Reflectir no que correu bem e menos bem;
  • Refinar e Estabilizar;
  • Aproveitar o sucesso (durante o tempo adequado);
  • Voltar ao passo 1.

Certamente, a ideia de contratar alguém para criar um sentido de urgência e gerir um espaço formal de desenvolvimento profissional (e pessoal) pode ser algo ainda estranho.

Mas vamos recordar que os nossos clientes, mercados, novas tecnologias e “surpresas” podem criar de forma totalmente inesperada e com um intensidade difícil de aplacar esse mesmo sentido de urgência e essa necessidade de mudar e de elevar o nível de competências e recursos-chave. Sejamos nós a fazê-lo de forma pro-activa!

Como Janus, vamos manter esta visão integral (o que foi feito, o que se está a fazer, o que se irá fazer e o que não sabemos que se vai fazer).

Vamos “profissionalizar” as mudanças e transições organizacionais.

Porque a mudança é contínua e eterna!

Abraço | Hugo Gonçalves

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