Protopia Organizacional (Parte 2) – O Dom Natural dos Profissionais

Protopia Organizacional (Parte 2) – O Dom Natural dos Profissionais

Protopia Organizacional (Parte 2) – O Dom Natural dos Profissionais

1800 1801 Hugo Gonçalves

—  DESCONHECIDO

PROTOPIA ORGANIZACIONAL – Interação evolutiva e simultânea de Pessoas, Ideias, Processos e Cultura.

Outro dia estava com alguém mesmo muito próximo a partilhar que princípios, valores, ética, brio profissional, são dimensões e atitudes que, estamos todos de acordo, fazem sentido e que são necessários organizacionalmente. As opiniões divergem é sobre o como trazer tudo isso cá para fora, através das nossas Pessoas.

Não conseguimos, são elas a escolher fazê-lo!


Mas é complicado manter os princípios quando o dinheiro aperta.

É lixado colaborar e querer dar ideias quando não me sinto seguro com os meus líderes, colegas, equipas e às vezes comigo mesmo. 😊

É desafiante usarmos a meritocracia como referência de organização empresarial e evolução profissional, quando o primeiro ponto da meritocracia – começarmos todos na mesma linha de partida e com as mesmas condições de evolução e oportunidades – raramente está assegurado.


A meritocracia profissional provavelmente é bondosa comigo porque nasci homem, fui bem alimentado, tive acesso ao estudo, ao desporto, a viagens, experiências e outros confortos, os quais dei o meu melhor para aproveitar, mas que estavam lá para mim.

Se calhar a meritocracia profissional não é bondosa comigo 😊 porque gosto de reconhecimento profissional discreto, não faço networking só por fazer e não tenho #instagram 😊, não digo que sim a todos os projetos que me apresentam, sou de caminhos profissionais e não de objetivos, valorizo a liberdade de trabalhar como quero e com quem quero (apesar de isso criar volatilidade em algumas dimensões) em vez da estrutura e estabilidade.


Logo, a verdadeira meritocracia organizacional é a qualidade das nossas escolhas para podermos entregar valor e impacto, e a resiliência para as honrar. Quando temos todos o mesmo ponto de partida.


No seguimento do artigo anterior, sigo com a exploração do conceito de Protopia Organizacional, e como esta se liga com a forma como vejo o desenvolvimento das Pessoas e Organizações, nomeadamente através da Engenharia Organizacional.

Publicado em 2021, o manifesto Protopia Futures oferece um modelo de pensamento para se construir o futuro de forma mais inclusiva e consciente. Escrito por Monika Bielskyte e outros contribuidores, o documento segue a premissa do Kevin Kelly.

Afinal, o futuro é, na verdade, um conceito plural tanto em termos das variadas possibilidades que este oferece, mas também no sentido de que é um verbo tensionado ao futuro e declinado no plural.

O certo e errado, 1 ou 0, A ou B, todas essas referências cartesianas são necessárias, mas cada vez mais como praticalidade, não como estratégia e forma de ver o trabalho e as organizações. A Protopia manifesta-se através do imaginar de novos futuros, soluções e abordagens, logo é por definição inclusiva. A Governavce é, na sua essência, um conjunto de comportamentos alimentados por mindsets e heartsets. É também necessário incluir, diversificar e democratizar ideias, feedbacks, questões, partilhas, necessidades e o contraditório, obviamente fazendo evoluir a forma como avaliamos, decidimos, executamos e aprendemos como profissionais e organizações.

Pode ser fixe abandonar ou desconstruir um pouco a questão da jornada do herói profissional e organizacional. A comunidade, a inteligência coletiva e a colaboração, que alinhe desígnios comuns com produtividade individual, serão os verdadeiros heróis, que vão conseguir dar resposta aos desafios que ainda não chegaram ou que estão já entre nós, mas em modo “sleepers”, tipo espiões ou aliens. 😊

“Numa era de velocidade, comecei a pensar que nada poderia ser mais revigorante do que ir devagar. Numa era de distração, nada pode ser mais luxuoso do que prestar atenção. E numa era de movimento constante, nada é mais urgente do que estar quieto“, assim proclamou Pico Iyer. E acho que o senhor tem razão, pois esta pode ser uma ótima definição de presença.

Nós prosperamos através de experiências sensoriais expandidas e conscientemente criamos espaços vitais para expressões neurodiversas de abertura, cuidado, empatia e suporte em contexto organizacional. Conversar em vez de falar.

Falo de reconhecer que um círculo vicioso destrutivo já está em curso na forma como trabalhamos e como as organizações estão estruturadas. Pode ser interessante priorizar a verdadeira tecnologia, acima das mecânicas e digitais, como sendo a melhor estratégia – verdadeira e de longo prazo. As organizações são um palco para crescer e evoluir, não apenas construir e entregar.

O Futuro é Ancestral. As práticas espirituais sempre foram importantes desde a origem da humanidade e têm um papel na formação da cultura humana. No contexto organizacional, uma prática espiritual pode ser a escuta ativa, questões abertas, uma rede de suporte de mentoria, ações de voluntariado e trabalhar de forma a entregar soluções e valor exequíveis, desejáveis, viáveis financeiramente e eticamente alinhados com o Ser Humano.

Das jornadas entrecruzadas dos nossos ancestrais até o tecido social futuro das nossas organizações, a criatividade é uma das únicas caraterísticas que se mantiveram em toda a nossa evolução profissional. Na era da automação tecnológica, a criatividade é a verdadeira habilidade de sobrevivência e sustentabilidade do futuro, especialmente quando combinada com o pensamento crítico e analítico. A criatividade busca novos caminhos e traz alegria – não apenas estética e cultural, mas também científica, social e política. A Protopia Organizacional abraça esta Pluralidade de Expressão Criativa.

Contribuir é navegar e materializar os processos de aprendizagem e desaprendizagem. Mesmo à medida que evoluímos, experimentaremos falhas, mal-entendidos e desalinhamentos. Mas nenhum desses casos é sinal de desistência. Se nos permitirmos ser honestos e vulneráveis, tornam-se oportunidades através das quais podemos evoluir.

A palavra “engenharia” vem do latim ingenium, que significa “inteligência inata”, “talento” ou “dom natural”, e de ingeniare, que quer dizer “gerar” ou “criar”. Esta raiz original aponta para a essência da engenharia: a capacidade humana de criar e inventar soluções de forma engenhosa.

A Engenharia Organizacional é (para já 😊) a minha forma de trabalhar, é o referencial para os projetos e intervenções da KNOWMAD VENTURES.

O Desenvolvimento de Pessoas, das Lideranças e da Inovação de uma Organização é sempre o resultado de uma interação evolutiva e simultânea de Pessoas, Ideias, Processos e Cultura.

As Organizações são uma “entidade” muito curiosa, porque se manifestam em diferentes dimensões. De uma certa forma, os profissionais, as funções, as áreas funcionais e os respetivos outputs de produtos, servições, soluções, resultados e objetivos são resultado de uma mescla de 3 grandes galáxias, cada uma com o seu binómio (caramba aqui vou ter mesmo que usar um dualismo 😉).

Os Profissionais são seres de Consciência!

Para o melhor desenvolvimento da Liderança e Capital Humano de uma organização, acredito que é importante que exista o alinhamento adequado entre o que gostamos de fazer – Interesses, Skills e Competências, Talento, Conhecimento, e a forma como nos relacionamos com os outros através da Personalidade e Empatia.

Como é que se pode trabalhar a Protopia Organizacional através das Pessoas:

Coaching, Mentoring, Desenvolvimento de Lideranças, Desenvolvimento de Facilitadores e Agentes de Mudança Internos, Inteligência e Agilidade Emocional, Assessments Comportamentais: DISC & PDA

Os Sonhos, Pains&Gains e Criatividade são o ponto de partida!

Falo de qualquer contexto que implique uma reflexão e trabalho multidisciplinares para resolver problemas, identificar oportunidades, criar produtos, trabalhar na nossa proposta de valor e desenvolvimento de clientes ou simplesmente imaginar como se pode trabalhar melhor.

Como é que se pode trabalhar a Protopia Organizacional através da Inovação e Resolução Criativa de Problemas:

Design Thinking, Design de Propostas de Valor e Modelos de Negócio, Resolução Criativa de Problemas, Estratégia Colaborativa e Responsiva, Abordagem Agile, Transformação e Mudança Organizacional.

Como podemos ser Eficazes e Eficientes!

85% dos desafios organizacionais são sistémicos e relacionados com comunicação, definição de responsabilidades, informação inconsistente e fluxos de comunicação degradados. O nosso foco está na eficiência – rápido e muito, mas talvez seja fixe olhar um pouco mais para Eficácia – escolher fazer a coisa certa.

Como é que se pode trabalhar a Protopia Organizacional através da Eficácia (fazer a coisa certa) e Eficiência (fazer a coisa certa bem feita)
😊: Produtividade Profissional, Design de Cultura Organizacional, Design de Equipas, Liberating Structures, Management 3.0, Holocracia, Abordagem Agile, Cultura e Gestão por Valores.


Durante esta semana, em workshops de Inovação para a Academia, Design Thinking para Serviços, e sessões de Mentoring, escutei reflexões e partilhas do género:


A Protopia Organizacional é um convite para o sonho, mas que este seja um sonho grande e que também se torna inspiração para a ação, de modo que isso se torne uma espécie de ativismo. As organizações, mais cedo ou mais tarde, vão ser catalisadores de Agency – a capacidade de tomar decisões e agir de forma independente e interdependente.


O melhor ativismo que podemos ter é através dos “pequenos” comportamentos, atitudes e formas de ver o nosso trabalho, colegas, equipas, líderes e clientes. O verdadeiro ativismo acontece quando digo bom dia, olá, desculpa, tens razão, partilha o teu ponto de vista, não concordo e deixa-me partilhar porquê, ou qualquer outra manifestação de inteligência e agilidade emocional.


Ativismo organizacional é também dar o nosso melhor para que, de facto, a Governance organizacional aconteça, não apenas de cima para baixo, mas em 720º:

  • Equidade: Tratar todas as partes interessadas de forma justa e equitativa;
  • Responsabilidade: Definir claramente quem é responsável por quais decisões e ações;
  • Transparência: Tornar as informações e os processos acessíveis ao público ou às partes interessadas;
  • Participação: Envolver os atores relevantes na tomada de decisões quando apropriado;
  • Consistência: Garantir que as regras e as políticas são aplicadas de forma consistente.


O tamanho, possibilidades e amplitude do nosso futuro organizacional é fruto do tamanho, possibilidades e amplitude dos nossos sonhos profissionais e organizacionais.


A Protopia Organizacional será então o processo de viajamos – inicialmente, para nos perdermos; e depois para nos encontrarmos e regressarmos a casa, onde quer que isso seja, num determinado timing.

Boa viagem e encontramo-nos mais à frente! 😊


Obrigado, Abraço e Fica Bem,

H

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