Se um dia tiveres de escolher entre o mundo e o amor lembra-te: se escolheres o mundo ficarás sem o amor, mas se escolheres o amor com ele poderás conquistar o mundo
— ALBERT EINSTEIN
LIQUID WORK – Adaptação, Renovação e Florescimento Profissionais
Praga. De acordo com a lenda, a cidade que atualmente é Praga foi governada por uma sábia e bela princesa que chamava Libuše. Apesar dos súditos gostarem dela, eles não aceitavam completamente o fato de serem governados por uma mulher, então incentivaram-na a encontrar… um (bom) marido. 😊
Libuše refletiu sobre o assunto (para aquela época era uma sortuda) e uma certa noite ela teve uma visão de uma grande cidade “cujo esplendor deverá alcançar as estrelas”.
Na noite em que Libuše teve a visão, ela estava em Vyšehrad (primeira fortaleza de Praga, local de lendas, mitos e histórias reais) e olhava para a região de Hradčany (a região onde fica o castelo de Praga).
Reza a lenda que na visão de Libuše surgia um homem que estava a construir um parapeito de pedra na porta da sua casa. E, assim, para fazer a vontade dos súditos, Libuše ordenou que os nobres partissem para a floresta, em busca desse homem. Quando o encontrassem, ele seria o homem escolhido e o local seria o palácio do seu governo.
Segundo a narrativa, isso de fato aconteceu. Os nobres encontraram um humilde lavrador chamado Přemysl que estava a construir uma espécie de umbral na soleira da porta da sua casa. A palavra umbral em checo escreve-se práh, daí vem o nome da cidade… Praha.
76%. Foi a capacidade da bateria que eu tinha, em vários dias consecutivos, quando desligava o telemóvel antes de me deitar. Mesmo usando o aparelho durante o dia para me orientar nos locais que visitava ou nos trilhos que fiz nas férias, este foi o valor mínimo de bateria com que acabava o dia. De forma análoga, também a minha bateria social, emocional, mental e até mesmo a física (apesar de levar a sério a máxima Solvitur Ambulando) 😊estavam carregadas, ou talvez de uma forma mais correta, desgastaram-se menos.
Tendo eu já algum cuidado com a utilização do telemóvel, foi simplesmente libertador e até mesmo comovente sentir que passava os dias acompanhado das pessoas próximas (incluindo apenas comigo mesmo 😊) e a conversar com desconhecidos, na natureza e no mar, a passear por cidades como Praga e apenas a desfrutar do Slow Living, para o qual as organizações podem contribuir com o Slow Working.
Caos. Apesar de tudo isto, também tive alguns sobressaltos e percalços nestas últimas semanas, O nosso amigo Universo 😊colocou-me perante alguns desafios, diretamente associados a “cenas” 😊 a trabalhar em mim a nível profissional, familiar e pessoal. E foi num local completamente inusitado (a sala de urgência de um hospital) e num momento desafiante que, ao olhar pela janela, vi uma estátua de homenagem a um pioneiro da saúde em Portugal com a seguinte inscrição:
“Nihil nisi amor“. Significa “nada, a não ser o Amor“. 😊

UMA NOVA EXISTÊNCIA PROFISSIONAL
Este artigo a seguir à “silly season” pretende lançar o mote para a nova época profissional pós-férias. Assim sendo, neste texto não irei partilhat muitas ferramentas e sugestões práticas como de costume, mas considero que faz sentido lançar um repto existencial sobre aquilo que eventualmente me vou focar este ano a, nível profissional, inclusive no blog:
- De que forma é que o Humanismo pode salvar/equilibrar/potenciar/valorizar (escolhe a(s) palavra(s) que te fazem mais sentido) as Organizações e os seus Profissionais?
- E como é que o Liquid Work de profissionais, equipas e organizações pode contribuir para isso?
Com estas questões abertas, vou “provocar” em mim próprio um processo divergente de exploração, de lançamento de possibilidades, insights, reflexões, especulações sobre todo o ecossistema constituído pelos profissionais, organizações, tecnologias, ferramentas e conhecimento, trends sociais e futurismo.
E dar o meu melhor para codificar e transferir tudo o que possam ser conclusões, hipóteses e “inovações” em forma dos habituais vipes que aqui partilho e com, aqui sim, a aplicação de ferramentas, abordagens e atividades práticas que possam materializar os insights deste processo de curiosidade
A KNOWMAD VENTURES é a materialização de uma aspiração profissional muito sincronizada com a forma como sinto a vida e o trabalho, de maneiras que já me são bastante claras, e de outras que ainda apenas intuo ou sonho.
Estou sempre a usar as palavras ecossistema, helicóptero, caminho do meio, integração porque somos excelentes a criar “filamentos” profissionais e organizacionais – com know-how, com performance, recursos, lógica, sequências, processos e estrutura.
Mas ainda temos muto a trilhar para conseguirmos fazer o que considero que neste momento é o mais importante – criar a melhor ligação e entrelaçar desses filamentos e criar as melhores tapeçarias, e não os otimizarmos individualmente.
Nas organizações, falamos muito, mas comunicamos pouco. Ouvimos muito e escutamos pouco. Fazemos muito, mas se calhar ainda entregamos, evoluímos e equilibramos pouco. Ainda mais importante do que o conhecimento e a informação, é ter a capacidade de inovar e, ao mesmo tempo, navegar no caos e na ordem.
“SLOW” WORKING
Sendo eu super fã do outsourcing 😊, para dimensões práticas da vida, principalmente para a parte de mim que é um dono de casa desesperado, é com alguma incredibilidade que, numa perspetiva de observador, sinto que estamos a delegar mais do que devíamos a nível profissional.
Falo da nossa (Auto)Liderança e Inteligência Emocional, o nosso Pensamento Crítico e Criativo, a nossa capacidade de Decisão, Colaboração, Comunicação e Produtividade, que parece que estamos a subcontratar a outros sistemas menos orgânicos.
Enquanto a AI sintética faz o seu Deep Learning, que vai numa direção oposto à verdadeira AI – Amor e Intelecto Organizacional, se calhar estamos a cair num Deep Lagging, que nos vai levar a perder o que conquistamos até aqui
Numa época de caos, de overload de conhecimento e (des)informação, de possibilidades, de abundância, de escolha, sinto que é imprescindível que os líderes, managers, profissionais possam manter, encontrar, desenvolver a capacidade observar e sentir o Ecossistema de Clientes, Negócios, Proposta de Valor, Processos e derivá-lo para desafios e oportunidades como inputs para novas/melhores soluções;
Sendo que acredito que existe a mão invisível do Adam Smith 😊 e que alguém deve estar a puxar os cordelinhos das marionetas, penso que é possível sermos nós mesmos os melhores marionetistas sendo Agentes de Mudança – como podemos observar, compreender e agir perante a única coisa que é constante no mundo organizacional e profissional – a contínua transformação do negócio, processos e evolução das Pessoas.
Slow, neste caso concreto, não significa lento ou devagar. Significa com o ritmo adequado, em equilíbrio, em fluxo, ativo o suficiente para existir evolução e estável de forma que os limites sejam explorados de forma consistente, mas nunca ultrapassados de forma frequente.
Isso implica conhecermos muito bem quem somos, quer como profissionais, equipas e organizações. E essa consciência terá de ser regularmente revisitada, pois todos nós somos evolução.
LIQUID WORK
Hard Skills são as habilidades mais comuns de serem identificadas em pessoas no mercado corporativo, são competências que estão relacionadas com questões racionais e conhecimentos explícitos.
Soft Skills estão relacionadas a questões emocionais e esses conhecimentos são tácitos, ou seja, que dificilmente conseguem ser repassados para materiais e/ou treino. As habilidades emocionais geralmente possuem mecanismos de funcionamento que são únicos para cada tipo de pessoa, por isso são experiências que geralmente não são replicadas e multiplicadas, pois não necessariamente a maneira que alguém desenvolveu suas soft skills vá funcionar para ti, por que isso varia de pessoa para pessoa.
Para mim, um líder ou profissional preparado para o Liquid Work é alguém que de forma regular se capacita com ferramentas de self leadership & inteligência emocional, comunicação, decisões e prioridades, e colaboração, para melhor poderem ser eficazes no seu próprio trabalho individual e orientar as suas equipas e colegas para a melhor produtividade, eficácia e criação de valor.
Liquid Skills, ou competências fluidas, são habilidades transferíveis e versáteis que podem ser facilmente aplicadas em diferentes funções, projetos e organizações, sendo essenciais para a agilidade profissional no mercado de trabalho do futuro.
A competência fluída está diretamente ligada com o processo de desaprender, hoje desaprender algo tornou-se tão importante quanto aprender! E a competência fluída vem justamente para dar equilíbrio e capacidade de resposta, pois com ambientes cada vez mais incertos e com cada vez mais verdade relativas do que absolutas, não nos podemos prender a conhecimentos ou crenças que façam distinção entre ”certo” e ”errado”. A competência fluída fala exatamente sobre isso, sobre adaptação, renovação e florescimento.

CODA
“Nihil nisi amor“! Nada, a não ser o Amor.
Volto a esta frase, pois durante muito tempo trabalhar tinha determinados propósitos, que mais cedo ou mais tarde, já estão e irão ficar desatualizados ou arcaicos. O que significa que teremos de encontrar, na vertente organizacional e profissional, novas referências de sucesso. O que eu faço já não define o meu sucesso, como eu evoluo e floresço profissionalmente sim.
O sucesso profissional é cada vez mais polarizado. Alguns preferem a exposição e reconhecimento, outros a reputação discreta e a saúde da sua bateria social. Outros valorizam os €€€€€, outros o tempo. Temos também os binómios segurança vs. liberdade, subir na carreira para cima vs. lado, ter responsabilidades e influência vs. a leveza da orientação que se recebe.
Todos estes referenciais são válidos, desde que não sejam atingidos através do prejuízo/impacto negativo em nós mesmos e nos outros.
Liquid Skills e Work pedem Liquid Minds & Hearts.
Se é líquido, não é estável, não tem solidez e pode seguir caminhos que não foram os traçados. Se é líquido, passa por cima do que está cristalizado – conhecimento, hábitos, mindsets, perspetivas, e não se mistura nos mesmos, para obtermos uma matéria-prima diferente, nova e mais rica.
Se então, a nível profissional e organizacional, tudo será mais líquido, teremos de ser nós a encontrar os nossos próprios rochedos e locais de segurança, observação e regeneração. E isso, em alguns casos, irá levar-nos para uma abordagem mais completativa, inclusive no trabalho. E não falo de meditação, yoga ou pranayama que, just for the record, acho bem fixe e recomendo. 😊
Falo de olhar de frente e abraçar a mais perigosa viagem que podemos ter, mas eventualmente a mais bonita – reconhecer quem somos, como estamos, o que nos vai servir para o futuro, o que é fundamental aprender e (re)conhecer e o que é importante desaprender (a nível profissional).
Reconhecer quais os pains/gains atuais e futuros das Pessoas e Mundo que podem ser positivamente impactados com o nosso trabalho, processos, produtos, serviços, soluções e valor.
Ter cada vez mais critérios e prioridades definidas, curiosidade constante, bom senso, colaboração, transparência na comunicação e conflitos e foco no adequado e eficaz em vez da perfeição e do exponencial, vai permitir que possamos então, entrar no modo Slow, tal como definido nos parágrafos anteriores.
E quem sabe, se nós conseguirmos encontrar um ritmo profissional sincronizado com a importância das nossas aspirações, talentos, experiência e recursos, as pessoas e o mundo em nosso redor também se sincronizam com isso.
Uma organização deve proporcionar a melhor curadoria daquilo que é benéfico para a sociedade e ecossistema onde está inserida. Para isso, deve definir prioridades, caminhos e materialização do desenvolvimento de Pessoas, Líderes, Equipas e da Organização e Cultura de Comunicação Consciente e Colaboração holocrática.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos” – Fernando Teixeira de Andrade
Para melhor trabalharmos com e para os outros, é importante primeiro sermos Um.
Obrigado, Abraço e Fica Bem,
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