Se calhar estamos todos a precisar de uma DOSE 😂

Se calhar estamos todos a precisar de uma DOSE 😂

Se calhar estamos todos a precisar de uma DOSE 😂

1920 1280 Hugo Gonçalves

—  ARNALDO ANTUNES & ANA FRANGO ELÉCTRICO na canção PRA NÃO FALAR MAL

Existe uma química que nos une, como profissionais, organizações, clientes e fornecedores

Pois é, bons conselhos estes do Arnaldo e da Ana, mas cada vez mais desafiantes de colocar em prática, certo? 😊

Por acaso neste momento da minha vida e em várias dimensões, alguns eventos e contextos sincronizam-me com estas palavras, quer pela sua pertinência, quer pelo desafio. A questão é que à nossa volta, e também em várias dimensões, isto parece o Texas 😊.

Desde questões sociais, políticas, económicas, diplomáticas, ecológicas, está mesmo um rebuliço.

Também no ecossistema organizacional todo este mundo líquido e falta de pilares e referências coletivas torna ainda mais importante que, como líderes, managers e profissionais, possamos ter consciência de:


Nos artigos do blog estou sempre a falar do Mindset (Intelecto) & Heartset (Emoções). Apesar de serem dimensões em muitos casos subtis, imateriais e difusas, tudo isto se manifesta em nós através dos nossos 3 cérebros, na nossa energia e foco, e da forma como damos a resposta adequada.

Fala-se muito na questão da saúde mental nas organizações. A questão, como costumo referir muitas vezes, é emocional na sua génese e origem.

A questão da saúde mental e emocional de uma organização acaba por funcionar como um diagrama de Venn, em ternos de ecossistema, entre o individual e o coletivo.

A Auto Liderança, o Autoconhecimento e Inteligência AI (se calhar é mesmo importante dares uma olhada a este artigo do blog) são dimensões individuais, a nível de princípios, valores, drivers de motivação, formas de comunicar e experiências e modelagens anteriores.

Os processos, os fluxos de trabalho, as reuniões, as abordagens colaborativas e de decisão, a inovação e as operações são as guidelines comuns que unem todos estes universos individuais de um profissional e que ao mesmo tempo, são desenhados com o intuito de otimizar os recursos, melhorar a performance das pessoas e assim proporcionar benefícios económicos.

Cada vez mais o trabalho deve sair do rotulo da sobrevivência – trabalhar para viver, e entrar na ótica da autorrealização –evoluir ao trabalhar. A inteligência artificial, a automação, as máquinas e “criaturas” afins 😊devem ser colocados ao serviço do humanismo, garantia das necessidades básicas e de proporcionar o tratamento e análise de dados que levem a melhores decisões.

Então, existe uma química que nos une, como profissionais, organizações, clientes e fornecedores. Essa química é, para já, a forma como conseguimos “explicar” e materializar no mundo físico questões como o amor, bem-estar, vontade de mais e melhor, empatia, colaboração, objetivos e realização.

Somos alimentados e “geridos” por vários tipos de hormonas. Existem algumas que tem impacto direto na nossa vida profissional e que, com alguma imaginação, podem ser metaforicamente representar as dinâmicas organizacionais e de negócio:

  • DOPAMINA: Muitas vezes referida como a “molécula da motivação”, a dopamina é crucial para o comportamento orientado para a recompensa e para a realização de objetivos;
  • OXITOCINA: Por vezes considerada a “hormona do amor”, a oxitocina promove a criação de laços sociais e ligações emocionais contigo próprio e com os outros;
  • SEROTONINA: Apelidada de “substância química da confiança”, a serotonina é vital para a regulação do humor e para o bem-estar, alegria e serenidade em geral;
  • ENDORFINAS: Estes “analgésicos naturais” ajudam a reduzir o stress e a aumentar a sensação de bem-estar.

Então, que tal se te apresentar como é que, se calhar, estamos todos a precisar de uma DOSE como profissionais e organizações? 😊.

A nível profissional e organizacional, a dopamina é algo que nos ajuda a desenvolver a nossa capacidade de alcançar objetivos, trabalhar em modo de Flow equilibrado e com isso, podermos colocar os nossos recursos, competências e capacidades ao serviço do nosso trabalho, equipas, organização e clientes, através do desdobramento desses mesmos recursos em melhores decisões, prioridades, ações e colaboração.

A dopamina é potenciada pela realização de tarefas com um nível algo desafiante de complexidade e que, com o seu término, proporcionam uma satisfação de realização e conquista.

Como seres humanos, temos um mecanismo associado ao sucesso e ao alcançar de objetivos que se pode traduzir como sendo um binómio de prazer-dor, tal como definido por Anna Lembke no seu livro Dopamine Nation.

Este processo basicamente permite-nos ser resilientes e persistentes na energia e foco dedicados a desafios, tarefas, e atividades profissionais através da “entrega” de sensações de recompensa e bem-estar aquando da superação de contextos mais desafiantes.

Os dínamos da dopamina profissional são:

  • Estado de fluxo – definição de prioridades, produtividade profissional a 720º;
  • Disciplina – saber quais os nosso 80/20, proteger atividades e tarefas críticas e importantes, criar um ambiente á prova de interrupções (inclusive as nossas próprias);
  • Alinhamento – entre as tarefas e resultados com as nossas competências e drivers de motivação, estilos de colaboração e comunicação com os nossos princípios,

 

Vamos pensar na oxitocina como sendo uma espécie de facilitador da vida. 😊

Tem a ver com sentirmo-nos seguros, confiantes, abertos aos outros e às usas formas de ver as coisas e nos sentirmos integrados. Esta hormona está umbilicalmente ligada à nossa capacidade e desejo de estabelecermos relações emocionais e colaborativas com os outros. Proporciona sentimentos de acolhimento, de nos sentirmos suportados e acolhidos, alimenta também a nossa empatia e disponibilidade para escutar e compreender o outro.

Exige que possamos criar laços sociais e pessoais de qualidade e que possamos ter um discurso interno positivo e de agradecimento e gratidão. Estas dimensões são, neste momento, aquelas que são as mais importantes de manifestar e materializar em contexto organizacional, e ao mesmo tempo são as mais desafiantes.

A Oxitocina é organizacionalmente construída através da:

  • Colaboração – através de cerimónias, artefatos, metodologias e ferramentas que proporcionem uma abordagem holística e multidisciplinar aos processos de trabalho, mais focados na contribuição horizontal do que na sequenciação hierárquica;
  • Interação Social – à primeira vista poderíamos estar aqui a falar de team buildings, sunsets & beer parties, e outros eventos do género. A questão é que esta dimensão é mais sobre partilha, segurança, empatia, compreensão;
  • Gratidão – termos práticas regulares onde de alguma forma reconhecemos a evolução e aprendizagem das experiências profissionais que temos – projetos, descobertas e insights, novas formas de trabalhar e deixar de fazer coisas que não acrescentam valor;

 

Aqui estamos a falar da energia, proatividade e bem-estar, que são coisas diferentes que a felicidade organizacional, pelo menos da forma como normalmente é trabalhada.

Vai ser desafiante ligar este princípio com o contexto organizacional, mas 90% da serotonina é produzida no intestino. 😊 Agora safa-te desta, Hugo! 😊

Na sociedade moderna, está a ser criada a ideia aparentemente óbvia da saúde mental nas organizações. Que os desafios só “ocorrem” na nossa mente e cabeça.

Mas, na forma como eu vejo as coisas, a questão é muito mais emocional e física, pois ter um corpo calmo, saudável e com energia é essencial para se sentir alegria e positividade.

Temos um nervo descendente no nosso corpo, que liga o cérebro com os intestinos- o nervo vago. Este permite a comunicação entre estes 2 órgãos e monitoriza de forma constante o estado do corpo em parâmetros como a frequência cardíaca, respiração, digestão, humor, energia e sistema imunitário.

Se o corpo e os fatores que influenciam todas estas “operações” do corpo funcionarem de forma adequada, também a nossa positividade, alegria, energia e relativização dos problemas irá ser impactada.

A serotonina depende de algumas dimensões:

  • Natureza e luz solar – normalmente quando estou em workshops e projetos em salas sem luz natural e sem locais exteriores com alguma natureza onde possa enraizar os pés na relva/terra e dar uma caminhada, é-me mais desafiante manter o nível de energia e foco (espero não estar a perder negócio com este disclaimer 😊);
  • Saúde Intestinal – Cada vez mais tomamos o pequeno-almoço á pressa, almoçamos à pressa, lanchamos à oressa. Muitas vezes saltamos alguma destas refeições e muitas vezes também o fazemos ingerindo alimentos que não são os melhores para o nosso corpo, mente e alma. Sei que o stress, a carga de trabalho e outras questões semelhantes levam a esses comportamentos, mas essas estratégias irão apenas perpetuar o ciclo de stress, desgaste e desvitalização profissional, com impactos nos resultados dos profissional e organizações;
  • Descanso – cada vez mais o repouso faz parte do treino dos atletas de alta competição e não só. A questão é que nós, como profissionais, estamos sempre a ir a jogo e quase sempre com pouco treino. 😊 Respeitar as pausas, de forma deliberada ou informal, encontrar atividades que te proporcionem algum descanso físico e mental de forma intercalada com o trabalho é a melhor escolha que podes ter;
  • Pensar de menos – muitas vezes isto acontece porque não temos visão sistémica do que está a acontecer, não temos as prioridades bem definidas. A ideia chave aqui é percorrer o seguinte roadmap – reconhecer o tópico e assunto e o que este implica, analisar e observar, ter insights e conclusões, definir prioridades, transformar as mesmas em ações e tarefas, e depois medir progresso.

 

As endorfinas são os químicos do nosso cérebro com a capacidade de nos ajudar a lidarmos com o nosso stress e melhorar a nossa saúde física. Implicam um esforço físico adequado e são um relaxante do corpo e do cérebro.

  • Exercício físico e Pausas ativas – Incorporar atividades físicas na rotina, como caminhadas, yoga ou treinos curtos, pode aumentar os níveis de endorfina e melhorar a disposição. Fazer pausas regulares para alongamentos, caminhadas ou exercícios de respiração pode ajudar a revitalizar a mente e o corpo;
  • Organização do ambiente de trabalho e Gestão do tempo – Um espaço de trabalho limpo e organizado, tanto físico quanto digital, ajuda a reduzir distrações e a manter o foco nas tarefas. Utilizar técnicas como o time blocking e evitar multitarefas pode aumentar a eficiência e reduzir o stress;
  • Definir prioridades – Priorizar tarefas importantes e criar uma lista de tarefas pode ajudar a manter o foco e a evitar a procrastinação;
  • Comunicação eficaz – Manter uma comunicação clara e aberta com colegas e superiores pode evitar mal-entendidos e otimizar o fluxo de trabalho.

Apesar de ser mais fácil numas coisas do que outras, acredito que a bondade, a compaixão, o não julgamento poderão trazer algum equilíbrio para a Força a nível organizacional. 😊

Então, se a nível de problemas, soluções, ritmos de trabalho, dualidades organizacionais, em vez de usarmos açucares rápidos – estratégias reativas, apagar fogos e afins, que tal darmos o nosso melhor para construir e nutrirmo-nos com a nossa DOSE organizacional?

Como diz Augusto Cury:


Se calhar aquilo a que chamamos alma e que se manifesta em momentos de maior epifania ou ampliação de consciência, manifesta-se neste mundo físico através da química que acabei de descrever.

Obrigado, Abraço e Fica Bem,

H

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