As Comunidades Organizacionais (Parte 2 com Estratégias Práticas)

As Comunidades Organizacionais (Parte 2 com Estratégias Práticas)

As Comunidades Organizacionais (Parte 2 com Estratégias Práticas)

1920 1440 Hugo Gonçalves

– PLATÃO

As comunidades ORGANIZACIONAIS são grupos que otimizam a confiança

Quando no fim do dia ando a correr pela Foz do Douro e Cantareira, às vezes o rio assemelha-se a um espelho de água, que reflete as cores bonitas e entrelaçadas da água e do pôr-do-sol.

O fluxo imóvel desse plano de água parece que hipnotiza e impõe às Pessoas e ao Mundo em redor desse cenário uma calma, uma presença, um surrender que, apesar de nos fazer tanta falta e nos fazer tão bem, tantas vezes está tão longe.

Às vezes vejo alguém a fazer Stand Up Paddle, remando na direção do pôr-do-sol e do mar, fazendo a pequena viagem de transição para “deixar o dia ir embora”, e abrir o caminho para o seguinte.

Não faltará muito tempo para eu próprio experienciar esses momentos, alugando uma prancha na Afurada e rumar em direção a esse ponto onde o mar e o céu se encontram, sentar-me na prancha e simplesmente observar, sentir e aceitar essa paz e simplicidade que o mundo nos proporciona.

Tendo na primeira parte deste artigo abordado a questão das Comunidades Organizacionais no que diz respeito ao conceito e dimensões, hoje gostaria de partilhar contigo que abordagens, mindsets & hearsets, e ferramentas poderão ser uteis da materialização destes vipes no teu dia-a-dia profissional e organizacional.

Numa organização existem diferentes tipos de grupos. Mas, o que é que realmente estão a otimizar?

A maioria das equipas, projetos e organizações estão focadas na otimização do desempenho. Realizar uma ação específica para um ou vários objetivos definidos.

As comunidades organizacionais, na minha opinião, são diferentes. As comunidades organizacionais são grupos que otimizam a confiança.

E se existe currency que neste momento é necessário para nós como indivíduos, equipas e organizações, é a capacidade de confiar. Em nós, nos outros, nas competências, experiência, ideias, no aprender com o erro e na loucura de imaginar algo exótico. 😊

Então será que isto funciona ao contrário? Pode a confiança levar a um melhor desempenho? As relações de confiança dentro de um grupo permitirão um maior impacto externo – clientes, utilizadores, produtos, serviços, soluções?

A confiança torna as relações mais próximas, mais flexíveis, mais inovadoras, mais dispostas a partilhar recursos, mais dispostas a serem vulneráveis.


Todas estas verdades de La Palisse surgiram como outputs do Projeto Aristóteles da Google, onde centenas de equipas foram estudadas para descobrir porque é que algumas tiveram um bom desempenho, enquanto outras não.

O indicador chave que encontraram para um forte desempenho foi a “segurança psicológica”. É um termo cunhado pela professora de Harvard Amy Edmondson, definido como “uma crença compartilhada de que no espaço da equipa é seguro assumir riscos interpessoais”.

Estou totalmente alinhado com estas inferências, sendo que acredito que mais do que segurança psicológica, o que realmente define esse campo é a segurança emocional – “Eu sinto-me seguro, acolhido, escutado…” e afins! 😊


Como referi na primeira parte deste artigo, a essência das comunidades organizacionais são as relações de cuidado, mantidas unidas por um sentimento de afinidade e apoio mútuo. O nosso trabalho como líderes, managers, especialistas e operacionais é, dentro dos nossos âmbitos e responsabilidades, tecer uma tapeçaria florescente de reciprocidade nestas dimensões.

Existem cinco elementos que fortalecem a saúde das comunidades organizacionais e que facilmente podem ser transpostos para a dimensão profissional e organizacional.

FOGO: As possibilidades que nos unem;

REDE: As relações que nos mantêm ligados;

RITMO: Os rituais que nos conectam;

CÍRCULOS: Os papéis que podemos desempenhar;

ESPIRAL: As nossas jornadas individuais e coletivas.

Lá vou eu usar um Canvas 😊 para melhor poder partilhar como se pode refletir, recolher insights, tomar decisões e definir ações para que as nossas Pessoas possam ser quem São naquilo que fazem e assim criar as condições para que o trabalho, as equipas, os processos e as organizações sejam também um palco que nutra as nossas aspirações como pessoas – estarmos bem “cá por dentro”, fazer coisas novas e que nos tragam benefícios, fazê-lo em colaboração e equipa e começar de novo. 😊

A primeira parte do Canvas centra-se em questões de propósito. Organizações fortes têm um senso claro e explícito de quem são, por que existem e o que representam.

Esses aspetos da comunidade são menos tangíveis do que os pontos abordados nas dimensões posteriores do Canvas. E, como resultado, muitas vezes são preteridos. No entanto, acredito que um senso de identidade constrói o núcleo de uma organização bem-sucedida e agrega todos os outros elementos em torno dela.

A própria seção Identidade é sobreposta em camadas. No seu núcleo estão dois elementos: o propósito da organização/equipa e a identidade dos seus membros. As perguntas porquê e quem são, representam âncoras por excelência e depois informam os outros elementos da identidade: os valores da organização, a sua definição de sucesso e a sua marca.

Uma cultura autêntica é um dos elementos mais valiosos de qualquer organização, mas também um conceito muito abstrato para agir. Os elementos abordados em Identidade são ingredientes-chave para uma cultura comunitária próspera.

  • Propósito – Porque é que a organização Existe?
  • Identidade do Membro – Para Quem é a organização?
  • Valores – O que é Importante para nós enquanto organização?
  • Definição de Sucesso – Como é que a organização Define o sucesso?
  • Marca – Como a organização se Expressa e Comunica?

 

Na segunda parte do Canvas exploramos a organização a partir da perspetiva dos membros: o que realmente acontece na organização e como ela traduz seu propósito em atividades que criam valor tangível para os membros – colaboradores, clientes e partes interessadas?

Toda a experiência na organização começa com um membro que se junta e em algum momento – conscientemente ou não – quando alguém sai. Organizações bem-sucedidas projetam esses momentos de transição entre o mundo exterior e o mundo interno como parte de uma jornada maior.

Uma parte significativa do Canvas é dedicada a dois elementos: as Experiências Compartilhadas aproximam os membros e aprofundam fundamentalmente os laços entre eles. Os Rituais e Tradições são individuais e experiências recorrentes que têm um forte caráter simbólico.

A estratégia de Conteúdo da organização contribui para a experiência geral. Organizações que contam as histórias dos seus membros e compartilham conteúdo relevante fortalecem o vínculo.

Cada colaborador é diferente e evolui ao longo do tempo. As comunidades organizacionais inteligentes oferecem diferentes funções que atendem a diferentes necessidades ao longo da experiência.

Por último, as comunidades organizacionais funcionam melhor quando têm regras claras definidas com antecedência, para que as pessoas saibam quais são os seus direitos e responsabilidades esperadas.

  • Seleção – Como as pessoas se juntam à organização?
  • Transição – Como os membros saem da organização?
  • Experiências Partilhadas – Que experiências são partilhadas pelos colaboradores?
  • Rituais – Que rituais acontecem regularmente?
  • Conteúdo – Que conteúdo e informação cria valor para os colaboradores?
  • Regras – Quais são as regras e comportamentos que potenciam a organização?
  • Funções – Que funções/role podem desempenhar os colaboradores e outras partes interessadas?

 

A terceira parte do Canvas concentra-se nos elementos operacionais da gestão de uma organização. Embora muitas organizações evoluam organicamente ao longo do tempo, apenas algumas sobrevivem no a longo prazo. Os aspetos organizacionais são muitas vezes negligenciados, e as estruturas necessárias não estão em vigor para lidar com situações desafiadoras, pois elas eventualmente e muitas vezes surgem de repente.

Esta área vai além de uma boa gestão e processos, mas apresenta uma tremenda oportunidade: a maioria das comunidades nas organizações torna-se mais valiosa quanto mais tempo existirem. Mas a consistência é fundamental. Organizações visionárias colocarão em prática estruturas que otimizarão para a estabilidade a longo prazo.

A liderança merece atenção especial numa comunidade/organização, pois pode existir muita parcialidade que trazem ruído a outros papeis de suporte, partilha e desenvolvimento. O que é que isso significa para modelos de incentivo, descrições de funções e transferências de conhecimento?

Muitas organizações falham porque não conseguem descobrir como se tornar sustentáveis a nível de recursos. Não falo apenas de dinheiro. Falo mais de tempo, energia, foco, conhecimento, experiência, desenvolvimento.

A maioria das comunidades organizacionais de sucesso existem tanto no mundo offline como no mundo online e a escolha das plataformas certas é importante.

  • Organização – Quem dirige a organização – níveis de responsabilidade e autonomia?
  • Governance – Como são tomadas as decisões na organização, com impactos internos e externos?
  • Recursos – Qual é o plano da organização para ter uma noção fiável sobre quais os recursos necessários para florescer e ser sustentável?

Canais & Plataformas – Quais canais a organização usa para se comunicar e se reunir?

Uma organização é um espelho do nosso mundo, sociedade, emoções, objetivos e ambições

Outro dia recebi o seguinte “convite” por email:


Depois de ter ficado algo trengo a olhar para este texto, comecei-me a rir. 😊 Não da proposta de valor, pois ter alguém que nos conheça e não julgue, que nos ajude a lembrar quem somos e quais as nossas aspirações é sempre espetacular.

O pequeno detalhe é que esse “alguém” já existe. É a minha cara-metade😊, os meus amigos, a minha família, os meus colegas e clientes.

De uma forma ou outra eles assumem esses papéis, aportam divergências e convergências, reflexões, sugestões, opiniões, julgamentos e perspetivas, que me podem levar a manter-me como estou ou a rumar a uma evolução diferente. São a minha comunidade!


Sendo que na realidade, tomando como válidas as abordagens e filosofias mais ancestrais, esse conselheiro pessoal também já existe numa outra dimensão, quando conseguimos aceder em nós mesmos àquilo que o Tsoknyi Rinpoche chama de amor essência, mente desperta e corpo enraizado.

Esse conselheiro somos nós própri@s!

Obrigado, Abraço e Fica Bem,

H

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