A Neurociência da Confiança | Do Cérebro às Organizações (Parte I)

A Neurociência da Confiança | Do Cérebro às Organizações (Parte I)

A Neurociência da Confiança | Do Cérebro às Organizações (Parte I)

1280 444 Hugo Gonçalves
O que é a Confiança? De onde vem? É algo químico ou mais subtil? É um processo imediato ou com iterações?

Numerosos livros de gestão abordaram o tema da comunicação, interação e Confiança nas e entre as Pessoas. Cientistas sociais, neurocientistas e profissionais do desenvolvimento humano desenvolveram algumas respostas consistentes a estas questões.

A Confiança foi formalmente declarada como uma “poção mágica”. Potencia o crescimento económico, induz ao consumo e acalma os mercados. Para além disto e talvez muito mais importante, facilita a Humanidade, Criatividade e Alegria.

Mas “construir” um clima de Confiança numa organização é muito menos sereno e alegre do que os seus resultados e impacto inferem. A Confiança é subjetiva e possivelmente impossível de medir. Se fosse possível contornar este “obstáculo”, tenho a certeza absoluta que a grande maioria dos líderes e gestores iriam adotar esta abordagem.

A questão é que a Confiança é perfeitamente mensurável, sentida, vivida e tangível. Apenas não o é em métricas e indicadores organizacionais. Todos nós sentimos o impacto que a Confiança causa em nós próprios e nos outros, numa perspetiva 360. Performance, Produtividade, Stress, Espírito de Equipa, em todos estes contextos se sente de forma emocional o impacto. E esse é o indicador mais verdadeiro.

A informação que aqui partilho, adaptada da pesquisa que fiz do trabalho de Paul J. Zak, tem apenas como objetivo apresentar as possibilidades e impactos nas organizações e não detalhar todos os processos químicos estruturais do cérebro.

A Neurociência da Confiança: Oxitocina

Vamos então começar pelo básico. Existe uma já famosa substância produzida pelo nosso cérebro – a Oxitocina – normalmente associada à felicidade. Basicamente esta substância está ligada a estados de alegria, proximidade emocional e relacional connosco próprios e com os outros e com estados de serenidade. Eu diria que esta hormona é a evidência química do nosso bem-estar, paz interior e capacidade de termos a melhor autorregulação e decisões que levam ao nosso melhor estado mental, emocional e físico.

A Oxitocina é também a forma como o nosso cérebro tem de sinalizar a presença da emoção da Confiança. O neuro-economista Paul Zak conduziu algumas experiências que considero fascinantes. Numa experiência (ver artigo no link), os resultados medidos ao nível da geração de oxitocina permitiram prever com grau de significância estatística o quão confiável os participantes eram e de que forma confiavam uns nos outros.

Também nestas experiências se analisaram os fatores de inibição e reforço da criação da oxitocina no cérebro. Aqui está um resumo:

O que é a Confiança?

No contexto puramente empresarial, a Confiança é um potenciador económico. Reduz as fricções que ocorrem em todos os tipos de ações comerciais e de negócios. Pode ser modelada matematicamente (parte da experiência de Paul Zak consiste na derivação dessas formulas). Logo pode ser aplicada para descrever relações interpessoais em e entre organizações.

Fora do nosso radar de consciência, a nossa mente e cérebro procuram um delicado equilíbrio. Desejam a presença e ausência de pessoas estranhas e respetiva interação. A cooperação e competição com outros expõe-nos ao risco de sermos desafiados e explorados, mas ao mesmo tempo também podemos ganhar muito a nível de evolução e suporte/segurança. Estes últimos ganhos poderão manifestar-se através da amizade, relacionamentos ou trabalho em equipa num projeto comum.

A oxitocina influencia a Confiança através do aumento da nossa conexão emocional com os outros. Ou seja, a nossa Empatia. Por isso é que nos damos logo bem ou mal com certas pessoas. E dizemos que aquela pessoa parece que tem luz e outras que sentimos que possuem má “onda”. Para além da abordagem espiritual e energética que descreve estes fenómenos, estes também são explicados pela Biologia e Física Quântica – hormonas e emoções.

 

Os 4 C’s da Confiança Interpessoal (acrónimo em Inglês)

Os seguintes atributos da Confiança são necessários para que as equipas trabalhem de forma eficaz:

  • Capability | Capacidade: “Eu acredito nas tuas capacidades e que tens os skills, conhecimentos e inteligência emocional que me fazem confiar em ti e respeitar as tuas competências”;
  • Caring | Empatia: “Eu acredito que compreendes o meu contexto e és empático com as minhas necessidades, questões e resultados que desejo para esta atividade/projeto”;
  • Candor | Sinceridade: “Eu acredito que irás agir sempre num registo de sinceridade e integridade, dando-me um feedback honesto, sempre no meu próprio interesse e adequado ao meu registo”;
  • Consistency | Consistência: “Eu acredito que tens uma abordagem consistente perante os vários registos profissionais, que me faz confiar e minimiza surpresas ou desilusões”;

 

Para a próxima semana publicarei a parte II, que se inicia da seguinte forma:


O desafio da Construção da Confiança

Apesar de o foco destes artigos ser a parte biológica, isso não implica deixar de lado a parte emocional e de valores internos. As emoções são um misto de Valores + Biologia + Individualidade, onde nem tudo é material e muito é subtil.

A Liderança terá no futuro dois pilares: O Mindfulness e a Neuro-Gestão…


 

Obrigado e um Abraço,

Hugo

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