A Humildade Intelectual potencia a Ambição Organizacional

A Humildade Intelectual potencia a Ambição Organizacional

A Humildade Intelectual potencia a Ambição Organizacional

640 366 Hugo Gonçalves

Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.

Bertrnad Russel

 

Em tempos ancestrais, 6 homens cegos discutiam de forma apaixonada sobre como cada um deles “via” o que era um elefante.

“É como se fosse uma espécie de corda” – disse um que lhe tocou na cauda.

“Claro que não é isso. Parece mais com um ramo de uma árvore” – disse outro que lhe tocou na tromba.

E cada um deles tocava o elefante em partes diferentes e obtinham respostas diferentes.

 

A moral desta história é que temos a tendência a sobrestimar o quanto nós sabemos das coisas. Isso leva a que teimosamente defendamos as nossas convicções, ao mesmo tempo que não valorizamos as opiniões ou visões dos outros.

Existe um bias (enviesamento) psicológico em todos nós que nos faz acreditar, até provas ou eventos em contrário, que somos melhores ou temos uma visão mais correta do que os outros. E numa altura onde cada vez mais os extremos, dissonâncias e que desafios internos se manifestam, os cientistas sociais estão a dedicar cada vez mais atenção a um conceito que poderá restaurar o equilíbrio da nossa inteligência emocional e comunicação e interação com os outros – a humildade intelectual.

Ao contrário da humildade generalista –  definida por traços como a sinceridade, honestidade e altruísmo, a humildade intelectual é definida pela capacidade de perceber e aceitar que o nosso conhecimento e compreensão das coisas têm sempre um limite.

E é essa suposta restrição que nos permite dar o salto para outros patamares:

  • Abertura para novas ideias, sejam elas compreendidas pela nossa lógica ou não;
  • Abertura a outras fontes de factos, dados e informação;
  • Melhoria de processos de aprendizagem. Estes são movidos pela curiosidade e serenidade e não pelo medo de falhar ou pelo ter que ganhar algo.
  • Aceitar e ficarmos gratos por precisamos dos outros para alargar esses limites.
 

 

O que é que isto tem a ver com Pessoas e Organizações?

Bem, a Google já inclui nos seus critérios de recrutamento a avaliação desta componente da humildade intelectual. Porque esta permite aferir se as pessoas estão preparadas para aprender de novo, para experimentar de novo, para serem ágeis a nível de know-how e de competências relacionais.

Esta abordagem promove uma melhor adaptação da mudança, pois o que se torna importante é a capacidade de nos renovarmos como profissionais – e não falo apenas de know-how, e isso instila uma abordagem mais saudável, mas ao mesmo tempo competitiva no atingir de objetivos.

Potencia a escuta ativa – o que se torna mais importante é receber do que emitir ou opinar.

Está cientificamente provado que nós aprendemos muito mais com as pessoas com as quais não concordamos. Mas para se atingir esse ponto, tem que existir uma abertura maior à nossa exposição a perspetivas diferentes das nossas. E isto é difícil. Porque ao fazê-lo, estamos sempre sujeitos a que sejamos colocados em causa.

 

Inteligência?

Um dos maiores obstáculos à Humildade Intelectual tem a ver com a forma como cada um de nós interpreta a palavra e conceito de inteligência.

Aqueles que têm o que a psicóloga de Stanford denomina de “fixed mind-set” — acreditam que cada pessoa nasce com uma certa “quantidade” de inteligência que é estática e que nesse sentido, tentar evoluir é contraproducente.

Esta perceção muitas vezes é reforçada pelo facto de não ser possível, em todas as organizações proporcionar uma liderança de desenvolvimento, de não existirem oportunidades e desafios para que todas as pessoas possam descobrir  e desenvolver novas competências.

Pessoas que possuem uma postura e abordagem (natural ou através da força de vontade) de “growth mind-set” veem a inteligência como algo mais maleável. É um músculo que pode ser treinado. E proporciona uma maior resiliência e uma maior vontade de aprender.

 

Quais as vantagens para as organizações?

Em vez de dar a minha opinião, vou utilizar alguns factos. Consultei 23 anúncios para posições de liderança e sénior no LinkedIn Jobs;

  • Responsabilidades e Funções dos anúncios são completamente diversas – Human Capital, Estratégia, Vendas, Customer Service, Engenharia, etc;
  • Diversas áreas de negócio – IT, Services, Industria, Inovação, Research.
  • Anúncios para Funções em Portugal, Europa e Estados Unidos

» A palavra Resiliência apareceu em todos os anúncios;

» As expressões Curiosidade e Capacidade de Aprender apareceram em quase todos os anúncios;

» A palavra Empatia apareceu em quase todos os anúncios;

» A expressão Potenciar o Desenvolvimento apareceu em quase todos os anúncios;

 

O que é a Sabedoria?

Estamos numa etapa civilizacional onde existem poucas oportunidades para parar, pensar e planear as coisas. A sabedoria começa a ser uma “commodity” muito rara nas organizações.

Num estudo de 2012, Ethan Kross e Igor Grossmann provaram a correlação direta entre a humildade intelectual e a sabedoria.

E como se define a sabedoria nos dias de hoje?

  • Reconhecer que o mundo é um fluxo e que o futuro será sempre diferente do presente;
  • Aceitar que existem limites sobre aquilo que podemos conhecer e absorver;
  • Promover uma orientação pró-social que promove o bem comum.

A palavra Empatia é sexy. É usada em palestras, conferências e sistemas de desenvolvimento do capital humano nas empresas como uma pedra de toque. Mas ainda existem alguns bloqueios na conversão do conceito – que é ótimo- para comportamentos diários e desenvolvimento integrado das Pessoas.

 

Eu vejo a Humildade Intelectual como sendo uma Empatia Lógica. É sobre escutar e interagir, para que os diálogos e aprendizagens informais nas empresas possam ser refinados e evolutivos. Para que nos sintamos serenos em sair da nossa zona de conforto. Porque sabemos que a nova zona não vai ser uma zona de desconforto ou incómodo.

Vai ser uma viagem para uma zona de exploração!

Abraço,

Hugo

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