Head Hunting Imaginário Para Um CE | Chief Entrepreneur

Head Hunting Imaginário Para Um CE | Chief Entrepreneur

Head Hunting Imaginário Para Um CE | Chief Entrepreneur

800 438 Hugo Gonçalves

Se tudo já foi criado, então tudo pode ser inovado. E tudo é algo muito grande complexo e intenso, que terá que ser gerido de forma diferente nas empresas do séc. XXI.

Conheço muitos líderes e organizações que falam de forma apaixonada de Inovação. Mas os exemplos reais de tal compromisso com a curiosidade e a descoberta organizacional (interna e externa) são bem menores. Por princípio, sempre fui contra a existência de uma estrutura formal de Inovação dentro de uma empresa.

Considero que a Inovação pertence e é responsabilidade de todos, é algo orgânico, espontâneo e que é gerado pela existência de desafios que um indivíduo ou um conjunto de colegas desejam trabalhar, com o propósito de resolver problemas, poupar tempo, criar experiências e acessibilidade a clientes e utilizadores.

Mas como tudo na vida, as mudanças acontecem e levam-nos a repensar os nossos paradigmas. Muitas empresas criam “espaços” de inovação informais, através da liberdade e espaços físicos (tempo e locais) que proporcionam aos seus colaboradores. Outras “escolhem” por uma questão de compromisso delegar essa responsabilidade no CEO.

A questão é a seguinte: os melhores CEO’s são profissionais excelentes a liderar, gerir e a desenvolver uma organização dentro de um framework de um modelo de negócios existente. Onde possuem mais dificuldades é em saírem do contexto do estado atual e reinventarem-se e por consequência, ajudarem a reinventar a organização. Claro que existem exceções de líderes que conseguem ser visionários e inovadores de forma marcante – Steve Jobs e Jeff Bezos são exemplos – mas são raras as empresas que neste momento possuem estes perfis de líder. Não tem a ver com uma questão de competência, mas sim com uma questão de foco e espectro – de largo espectro.

A questão da inovação deixou de ser algo apenas reservado a alguns, a um departamento ou a um conjunto de pessoas consideradas “exóticas” pelo resto dos seus colegas. Inovar é imaginar realidades futuras e criar novas possibilidades. Apoia-se nas criações e evoluções de etapas anteriores e nesse sentido, se tudo já foi criado, então tudo pode ser inovado. E tudo é algo muito grande complexo e intenso, que terá que ser gerido de forma diferente nas empresas do séc. XXI.

No que a Inovação e Modelos de Negócios dizem respeito, tenho em grande conta o trabalho de Alex Osterwalder, o criador, juntamente com Yves Pigneur, do excelente Business Model Canvas. Acompanho de forma regular o seu trabalho e a forma como ele, através do pensamento visual e através dos conceitos de design, empatia e fluxo, desenvolve ferramentas para alinhar de forma bastante evidente e perene a estratégia, modelos de negócios, recursos, pessoas, clientes e respetivas necessidades e requisitos.

Uma das suas últimas ideias é a de que a os CEO’s necessitam de um parceiro estratégico interno para promover, gerir e obter resultados consistentes de processos de inovação e intra-empreendedorismo. Como? Esse parceiro, que ele denomina de CE (Chief Entrepreneur) seria responsável por criar e “lutar” pela adoção interna de processos, incentivos e métricas que sejam encorajadoras de ideias radicais e a procura de novas oportunidades e áreas de negócios. Será alguém, com um posto executivo na organização, que terá a responsabilidade de criar as condições para que os seus colegas e processos se reinventem, tendo em conta os estímulos externos (clientes e mercados) e os estímulos internos (capital humano, curiosidade e vontade de evoluir por parte dos seus profissionais).

E isto deve acontecer enquanto ainda existe sucesso, não num contexto de “tudo ou nada”. Então o CE será alguém que irá ser um “navegador | explorador organizacional” enquanto o CEO se foca na gestão, desenvolvimento e consolidação do negócio atual. O CE deverá ter sempre uma posição de autonomia e poder.

Se o perfil de tal elemento fosse apresentado num anúncio ou oportunidade profissional qual seria a sua descrição? Apresento um trabalho “conjunto” entre o Alex e eu próprio (ideias-chave sobre um possível perfil originários do seu trabalho e desenvolvimento e algumas contribuições | upgrades da minha parte):

És um CE | Chief Entrepreneur?

A nossa empresa procura um Chief Entrepreneur que nos irá ajudar a identificar os fatores críticos do futuro e a redesenhar a nossa organização. Irás gerir um portfolio de pessoas, competências, emoções e aspirações de um conjunto de colaboradores da nossa organização que devem ser alinhados para criarem novos modelos de negócios e propostas de valor para clientes atuais e futuros. Experiências, protótipos, validações e insucessos nos resultados irão fazer parte do teu dia-a-dia. Irás trabalhar em conjunto com o CEO, como pares. Irás ser responsável pelas novas possibilidades e ideias, para que estas depois possam ser convertidas pelo CEO em negócio e clientes. Eis as caraterísticas que identificamos como sendo primordiais para o teu sucesso nesta função:

  • Adoras imaginar, desenhar e mapear novos modelos de negócios e propostas de valor;
  • Acreditas que tudo é possível, tens a cabeça no ar mas os pés assentes no chão;
  • És resiliente, persistente. Através de um misto de paixão e objetividade consegues entusiasmar os teus colegas e encorajá-los a procurarem novas soluções;
  • Sentes-te bastante confortável com a mudança e a incerteza. Incomoda-te mais não tentar do que falhar – que para ti não é mais do que uma nova iteração para o sucesso;
  • Acreditas que a criatividade e os sonhos advêm de uma dose certa de disciplina. A criação tem um propósito e um método, que é alimentado pela liberdade de sonhar e partilhar;
  • És um diplomata nato. O teu objetivo máximo é persuadir os outros a providenciarem os recursos necessários para descobrires algo novo, mostrando com dados (tempo, €, marketing value, etc.) o que se pode ganhar e principalmente o que podemos deixar de perder.

Parece-te bem? Então quais serão as tuas responsabilidades e tarefas do dia-a-dia?

  • Criares as condições para construirmos o futuro da nossa organização. Serás responsável por desenvolver novos modelos de negócios e propostas de valor para o crescimento futuro do negócio. Já foi falado, mas isto é tão importante que vale a pena repetir.
  • Serás o guia da tua própria equipa de intra-empreendedores. Irás partilhar o teu melhor conhecimento e atitudes à tua equipa de “subversivos” e curiosos.
  • Irás mostrar para onde olhar, mas não o que ver, como um Coach. Irás estar ao comando de um navio de exploradores.
  • Irás ser o arquiteto de um espaço interno de inovação. A palavra-chave aqui é habitat. Experimentar, falhar e aprender não são contextos fáceis gerir e lidar. É necessário um ambiente próprio. Deves defender a cultura, processos incentivos e métricas que irão gerir este espaço físico e conceptual.
  • Vais ajudar a criar um Innovation Controlling Model. Juntamente com o nosso responsável financeiro, com o CEO e com os responsáveis pelo desenvolvimento organizacional e melhoria contínua, irás potenciar a criação de um novo modelo de valorização interna da Inovação, que te irá permitir avaliar os progressos e ganhos associados às tuas responsabilidades. Basicamente irás conseguir responder à questão – como é que as experiências, ideias, testes e aprendizagens irão libertar cash-flow, reduzir a incerteza e permitir um avanço sem medo?
  • Estabelecerás uma parceria honesta e construtiva com o CEO. Tu e o CEO serão pares. Lembra-te que enquanto crias o futuro, ele está diligentemente a consolidar o presente. É desse presente que irão surgir os recursos para que possas realizar e assumir as responsabilidades que te pedimos. O CEO poderá ser também o teu melhor filtro. Discutirás com ele de que forma os progressos da tua equipa se podem alinhar e materializar na organização e no mercado.
  • A comunicação e o pitch serão competências que deves dominar, porque o CEO vai ser basicamente o teu banco, que irá ajudar-te a financiar as tuas experiências e iterações. Em troca, deves entregar-lhe um modelo de negócio e proposta de valor devidamente validados e que possam ser implementados e escaláveis.

Se sentiste entusiasmo, vontade de criar, construir algo de novo e ser um pioneiro, o que esperas para nos contactar?

As organizações terão que ser ambidextras – inovam e executam ao mesmo tempo. Não terão outra hipótese.

Sei que esta liderança e segregação interna entre Negócio e Inovação será algo difícil de compreender e até implementar, devido à forma tradicional como as empresas organizam os seus organogramas e devido o poder imenso do CEO, que muitas vezes o torna cego perante a realidade (toma decisões sobre vários assuntos e nem sempre com a informação correta, está longe do local onde as coisas acontecem).

Neste modelo, não tenho dúvidas que irão existir divergências entre a CE e o CEO. Mas com alguma paciência, perseverança e bom senso (este é um dos commodities onde existem mais ruturas de stock nas empresas) este modelo pode ser bem integrado em organizações existentes e servir de ponto de partida para negócios futuros. Potenciais CE já existem na sua organização, apenas estão adormecidos pelos processos, sistemas ou simplesmente não lhes damos hipóteses de contribuir.

 

Um abraço,
Hugo Gonçalves

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