Quando me desapego do que sou, torno-me no melhor que poderei ser.
— LAO TSÉ
Quando é para fazer algo importante, não o faças pela metade! Sê Inteiro!
¿Tienes Prisa? Foi em Baiona, no dia 1 de março de 1493, que o destino da Europa mudou para sempre. As ondas atlânticas batiam na costa galega quando a caravela La Pinta despontou no horizonte. Comandada pelo capitão Martín Alonso Pinzón, a embarcação trazia velas rasgadas e uma tripulação exausta após enfrentar tempestades violentas no oceano.
A nau de Cristóvão Colombo, a Santa María, tinha naufragado nas Caraíbas. A outra caravela, a Niña, onde viajava o próprio Colombo, tinha-se separado devido ao mau tempo, acabando por procurar refúgio nos Açores e depois em Lisboa.
Assim, quis o destino que o pequeno porto de Baiona fosse o primeiríssimo local da Europa continental a receber a notícia: o “Novo Mundo” tinha sido descoberto. Hoje, uma réplica exata da caravela La Pinta está permanentemente atracada no cais da vila, permitindo aos visitantes recuar no tempo e reviver este momento histórico.
Há dias fui passar uns dias naquela zona, que está repleta de pequenos paraísos, para desfrutar do que eu chamo “Fugas para a Vitória”. 😊
São escapadinhas de 2 ou 3 dias em que, quando reconheço que está a ser too much ou que é importante eu parar para dar a melhor resposta, coloco o modo de ser adulto, responsável e “perfeito” e ter de resolver tudo em pausa, e lá vou eu respirar e regenerar.
Um dia, após uma corrida e caminhada bastante longa, cheguei à praia que serviu de base para esses dias lânguidos 😊 e fui a um xiringuito pedir um Aquarius bem fresco e algo para comer. Estava cansado, com fome, com sede, e ainda com resquícios da inquietação que me levou à escapadinha. O empregado do xiringuito, ao ver-me com aquela vibe, olhou para mim com um ar – que não sei se foi de compaixão ou irónico – e proferiu a pergunta que se impunha:
“¿Tienes prisa?”
Fiquei a olhar para ele porque não me sentia especialmente com pressa, mas de facto ainda estava a aterrar, ao nível de presença. E então percebi que aquele jovem foi o mensageiro daquilo que eu precisava de escutar. De facto, no meu mundo interior, ainda estava com pressa.
E a partir desse momento, permiti-me viver o resto dessa escapadinha com uma maior serenidade e aceitação.
Incorruptíveis. Por impulso, como quase sempre acontece com as minhas compras de livros, sou o feliz proprietário do livro Incorruptible (Why Good Companies Go Bad and How Great Companies Stay Great), de Eric Ries. E isto é estranho. 😊
Porque, apesar de usar e seguir algumas das abordagens e ferramentas do seu livro anterior – Lean Startup, não me revejo na escrita do Eric.
Neste novo livro, continuo a não gostar muito do estilo (neste livro algumas passagens até parecem de AI 😊) ,mas caramba, o conteúdo é esmagadoramente mais valioso do que a minha opinião sobre a escrita.
Este livro entrou no meu Olimpo de livros sobre como pode a Protopia, o Lucro com Propósito e a utilização do Ancestral de nos fez Pessoas para tornar o trabalho, profissionais e organizações em “entidades” eficazes, eficientes, que entregam valor e impacto.
Valor criado ≠ valor extraído.
O Eric defende que a corrupção e “não-governance” das empresas não nascem apenas de maus atores, mas de forças sistémicas e pressões financeiras de curto prazo. O sucesso e o crescimento acabam por afastar as organizações da sua missão original – fazer algo fixe que crie impacto e melhore a vida das pessoas.
As “boas práticas” de mercado tradicionais empurram as organizações para a burocracia e a perda de valores. E a solução que ele propõe é o que eu poderia denominar como sendo um grande autoentalanço 😊, no que à governance diz respeito.
Ele defende um design organizacional centrado na missão e focado no longo prazo. Analisa exemplos práticos de estruturas de salvaguarda (como em empresas reais) para proteger o propósito empresarial contra pressões externas. Fornece ferramentas para fundadores e líderes criarem uma arquitetura empresarial resiliente desde o início.
As empresas precisam de ferramentas legais e estruturais que protejam a sua missão. A estrutura acionista deve blindar a gestão contra investidores ativistas focados no curto prazo. O propósito social e o lucro devem estar alinhados na própria constituição da empresa. O sucesso deve beneficiar clientes, funcionários, fornecedores e a comunidade, não apenas os acionistas. Criar valor sustentável a longo prazo requer métricas de desempenho que vão além do retorno financeiro imediato.

ORGANIZAÇÃO EVOLUTIVA
Quando tinha 27 anos, Friedrich Nietzsche deu umas palestras em Basileia, nas quais criticou a instrumentalização económica da educação. Segundo ele, estamos a educar e formar pessoas apenas para ganharem dinheiro. 😊
Segundo o Fred, as escolas e universidades serviam para formar profissionais úteis, eficientes e obedientes ao mercado, em vez de criar seres livres. Concordo. O sistema educativo foca-se no presente utilitário e esquece o verdadeiro espírito que fundamentou a nossa evolução técnica, relacional, mental e emocional como pessoas, antes de sermos profissionais. Concordo outra vez.
O acumular de dados históricos sem ligação com a vida prática paralisa a ação e enfraquece o vigor humano. Check. A divisão exagerada das ciências destrói a visão de conjunto e impede a formação de indivíduos completos. Bingo! 😊
Para Friedrich Nietzsche, a evolução acontece através do resgate da Antiguidade –civilizações clássicas, védicas, persas, árabes, chinesas e outras servem de farol para ensinar a força, a sobriedade e a coragem criativa face ao mundo. E isso traz um foco na singularidade humanista e com ethos – a educação deve cultivar o que torna cada pessoa única, combatendo a padronização e a moral de rebanho. Tinha estudos, este senhor! 😊
Então, se calhar, temos também de evoluir na forma como vemos e percecionamos a Evolução dos Profissionais e Organizações.
EVOLUÇÃO EM CICLO ÚNICO
Na evolução de ciclo único, uma entidade (trabalhador, equipa, departamento, unidade de negócio) deteta uma incompatibilidade e gap entre os resultados esperados e reais e altera as suas ações para colmatar essa lacuna.
Este ciclo único é frequentemente comparado a um termóstato que deteta uma alteração de temperatura e ativa ou desativa um calorífero para a equilibrar em torno de um alvo pré-definido. Neste processo, ninguém pergunta se esse alvo ainda faz sentido no ambiente atual.
EVOLUÇÃO EM DUPLO CICLO
Chris Argyris definiu esta transformação como sendo o que acontece quando uma equipa ou unidade organizacional avalia o gap entre resultados esperados e reais examinando as suas variáveis governantes: os objetivos, crenças e pressupostos que foram usados para definir o objetivo inicialmente.
Assim, a entidade reconhece que um objetivo é uma hipótese que necessita de validação contínua. As variáveis governantes estão sempre sujeitas a exame crítico para verificar se os alvos ainda são viáveis.
EVOLUÇÃO EM TRIPLO CICLO
Estou aqui a falar em “aprender a aprender”. Este é o meta-processo que uma equipa ou organização utiliza para perceber se o ciclo único e o ciclo duplo estão ambos a funcionar como pretendido.
A equipa decide se deve introduzir revisões pós-ação, post-mortens ou retrospetivas ágeis. Verifica se as suas práticas de red teaming, aprendizagem em ação ou especulação de cenários estão a funcionar. E discute as armadilhas das recompensas e incentivos, das dinâmicas de poder ou de uma cultura organizacional pouco transparente.
Ao nível meta, uma entidade analisa o seu histórico de aprendizagem, examina os seus padrões de aprendizagem e diagnostica ciclos de feedback contraproducentes que dificultam a aprendizagem de ciclo único e duplo. Neste terceiro ciclo, uma equipa, departamento ou unidade de negócio refina deliberadamente as suas comunicações e comportamentos para tornar as futuras intervenções de aprendizagem mais sistemáticas.

CODA
¿Tienes Prisa? 😊
Espero que não, principalmente nesta altura em que normalmente a malta vai descansar e divertir-se, para sair da rotina e reconectar com aquilo e com quem é de facto mais importante.
Sendo eu um fervoroso adepto do Slow – Living, Working e Loving 😊, não vejo esta estratégia de vida como um fim em si mesma. É o ponto de partida.
No Yoga e principalmente nos asanas (as posições exóticas que se praticam), ficamos com a ideia de que o foco é o trabalho no corpo. Também, mas não só.
O Yoga, a meditação, a presença, a paz, a verdade, a aceitação, a mente desperta e o coração aberto acontecem, não no corpo, mas através do corpo. Toda uma sessão ou prática destina-se a preparar todo o nosso ser para parar, para o silêncio, para a meditação, para a respiração consciente.
E esse espaço de “paragem” e aparente imobilismo é o que realmente energiza a clareza mental e emocional para que possamos escolher as melhores decisões, e dá-nos o empoderamento e soberania pessoal para fazer o que depende de nós para isso acontecer.
Desejo-te um Ótimo Descanso e umas Maravilhosas Férias (esta frase aplica-se ao passado, presente e futuro). Para que possas estar no teu melhor para o seguinte convite que te faço (e a mim mesmo 😊):
Quando for para fazer algo importante, não o faças pela metade.
Se for para tentar, vai até o fim. Não existe outra forma. É a única boa luta que existe nesta vida. Dar o melhor por aquilo que realmente é importante e pelo que realmente precisamos.
Se é mesmo importante, gasta, usa, atira, joga, arrisca, dá, sonha. Faz as coisas mais difíceis e complicadas, principalmente por ti e para ti. Ao longo da nossa vida, quase ninguém se vai lembrar de nós, por isso aquilo que de melhor temos é o agora.
Então, com soberania pessoal, responsabilidade, com ambição moral, de forma colaborativa, que tal começarmos a fazer as coisas da forma que nos floresce?
Todos nós temos um hábito, nem que seja muito inconsciente. Procuramos o florescimento dentro de nós e genuinamente desejamos ser úteis no suporte e na ajuda que possamos dar para que os outros também possam florescer. Nem diria que isto é genético ou resulta da evolução natural.
Resulta do Amor, Verdade, Paz, Alegria, Liberdade, Aceitação que existem (as doses diferem 😊) em cada um de nós!
Assim, damos o salto quântico:
- Da esperança sobre o que os outros façam, para a confiança de que o que depende de nós decidir e fazer vai correr bem. E fazer. 😊
- Do apego de não querer perder algo ou alguém para o surrender de amar o nosso destino.
- Da sensação prazeirosa que associamos ao que desejamos para a vivência de amor e paz internos quando experienciamos e temos “apenas” o que precisamos.
Nihil Nisi Amor. Tychen Stergein.
Obrigado, Abraço e Fica Bem!
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