O verdadeiro Talento é a capacidade que tens em permitir que as ideias se manifestem através de Ti
— RICK RUBIN
Talento Organizacional é a energia cria as Protopias
Espero que tenhas tido umas ótimas Festas. Que 2026 e mais além te tragam e mantenham por perto Pessoas muito fixes, Experiências que te façam florescer, e Aprendizagens que venham da escuta ativa e aceitação interna.
Também tenho expetativas próprias para 2026 e nesse sentido, par além das coisas mais pessoais, desejo “alguma” acalmia e bom senso para este mundo exótico e polarizado que vivemos, espero que o filme Dune 3 – Messiah seja de facto o culminar do fantástico build-up criado pelos filmes anteriores da sequela, e que numa grande cadeia de supermercados portuguesa que tem uma ótima comida caseira, os seus colaboradores possam cortar o frango assado de uma forma user friendly para os clientes.
Cada um com as suas prioridades. 😊
Podes ter sentido no final do ano que estavas a funcionar em modo de sobrevivência. Se calhar a tua lista de tarefas não recebeu o briefing. 😊
Pessoalmente senti que à minha volta todos insistiam em “acabar o ano em força”, fazer mais. A mim só me apetecia abrandar. Esse meu instinto não é (só) preguiça.
Estudos em cronobiologia mostram que as mudanças sazonais influenciam as hormonas e padrões de sono, com alterações visíveis na energia e na motivação. A questão é que a vida moderna “espera” que mantenhas os níveis de energia em alta durante todo o ano, para todas as dimensões da vida, criando um desfasamento exaustivo.
Por isso vou continuar a apostar durante as próximas semanas no “Wintering”, onde parar não é o oposto da produtividade – é aquilo que a torna sustentável. O teu cérebro está incrivelmente ativo durante os períodos de descanso. É nesse momento que consolida memórias, processa emoções e repara vias neurais danificadas pelo stress. O que parece quietude por fora é, na verdade, uma forma vital de restauração interior.
Alguns momentos de Wintering foram passados a fazer caminhadas e trilhos na Galiza, a ler livros sobre temas diversos como Criatividade, Interoceção – o 8º sentido, que é a capacidade de sentirmos variações e estímulos internos do nosso organismo – como fome, sede, batimentos cardíacos, respiração, temperatura, intuição, funcionando como um sentido essencial para a nossa autoconsciência, regulação emocional e bem-estar, e sobre qual a melhor abordagem e critérios para saber quando e como devemos… desistir. 😊
Em cada um desses contextos, das caminhadas aos livros, reconheci e/ou senti o impacto do Talento.
Na alegria e dinâmica dos artistas de rua que vi em Vigo a meio de uma etapa a pé a caminho de Santiago, ou pela simpatia e desenvoltura de uma empregada do bar/restaurante onde eu e um companheiro de caminhada recuperávamos energia com tapas e copas 😊. Pela forma estruturada e clara como me foram apresentados os critérios de aniquilação para validar uma desistência, e a maneira poética e muito objetiva como o produtor musical Rick Rubin apresenta a sua visão e práxis relativa à Criatividade.
Senti o talento de todos estes “artistas” porque, de alguma forma, criaram Impacto – boas sensações, leveza e alegria. Fizeram-me pensar nos desafios atuais, trazer abertura para me colocar num papel de observação e escuta interna e externa, uma sensação de surrender, sentir-me acarinhado, perscrutar novas possibilidades.
Este talento tipo de talento não tem nada a ver com dons ou heróis. Ainda menos no contexto profissional e organizacional. Sinto que o talento é o resultado da melhor combinação de Espírito, Inteligência e Ação, que por sua vez está sincronizado com o contexto, necessidades e desafios da organização.

ESPÍRITO, INTELIGÊNCIA E AÇÃO (Organizacionais)
Fala-se muito na atração e retenção de talento. Como se o universo daquilo que uma Pessoa e Profissional é pudesse ser prospetado como ouro, angariado como sócios de um clube, e retido como impostos. 😊
Quando se procura e desenvolve talento, ainda se está muito balizado pelo que os candidatos/colaboradores DEVEM TER (competências, credenciais, experiência), em vez do que DEVEM FAZER (resultados, entregas, impacto).
Isto não é um problema de formação ou uma lacuna tecnológica. É uma falha de conceção na forma como as organizações definem o próprio trabalho. E se isso acontece, obviamente que depois podem existir gaps entre talento, função, outcomes, outputs, impactos.
Nas organizações, é mais fácil implementar um processo único, monitorizável, escalável e mais económico.
O nosso desejo (válido) de uma experiência e necessidade consistente leva-nos a adotar uma abordagem universal para os elementos-chave do ciclo de vida do colaborador. Raramente questionamos se realmente tivemos impacto no comportamento humano em termos de desempenho ou crescimento pessoal.
Acredito que precisamos começar a ser polímatas em como os seres humanos pensam, sentem, comportam-se, comunicam entre si, aprendem, são motivados intrinsecamente, etc. Precisamos de construir a nossa capacidade e credibilidade sobre como criar as condições nas organizações para que as pessoas possam ser mais criativas, produtivas, colaborativas e ágeis.
É aqui que entra o Espírito – quais as competências, experiência, talentos, aspirações dos Profissionais e como é que isso se liga aos seus próprios valores e capacidades mais inatas. É sobre liderar o Self para melhor liderar, colaborar e contribuir para e com os outros.
Isso permite que se manifeste a Inteligência. É sabermos perscrutar os ecossistemas que existem dentro e fora da organização, identificar tendências e weak signals de disrupções e evoluções, compreender quais os pains&gains. É a nossa capacidade de ter o Pensamento Crítico para analisar e ter insights válidos e a Criatividade para lhes proporcionar soluções.
Com isto estamos preparados para a Ação. Definir o que é importante fazer, organizar as atividades e sincronizando o caminho global com a produtividade funcional, de equipa e individual. Agir é saber o que fazer, porquê, quando, como e que resultados obter, potenciando as capacidades individuais, a inteligência coletiva das equipas e a manutenção/evolução das boas práticas, e a abertura para fazer diferente.
UMA VISÃO MAIS EXÓTICA DO TALENTO
Uma forma diferente de convidar, avaliar e florescer o talento nas organizações é através de questões abertas, escuta ativa e sermos exóticos.
Para assim aferir se aquelas competências fundamentais em 2030, que aparecem nos relatórios da Gallup, World Economic Forum e em posts do LinkedIn 😊já existem, ou pelo menos possuem um solo fértil onde possam ser semeadas, nos Profissionais.
Algumas perguntas que podem ser colocadas aos Profissionais (potencias e atuais) da tua organização:
- Se compreendem os drivers de motivação, comunicação, ritmos e foco do comportamento humano em contexto organizacional e como estes podem variar;
- Qual a sua visão sobre como introvertidos e extrovertidos respondem de forma diferente e como impacta a produtividade, comunicação e colaboração;
- Quais as diferentes ameaças e recompensas percecionadas em contexto corporativo e como aplicaram/foram impactados com isso no seu trabalho;
- Se acreditam que o pensamento crítico e criativo para o seu trabalho e organização é fundamental e como é que os mesmos se podiam materializar no seu dia-a-dia profissional e função;
- Como criariam uma cultura de segurança emocional/psicológica para promover mais inovação.
Os Profissionais que conseguirem dar respostas fixes a isto ou que possam, assumindo a sua curiosidade e até mesmo ignorância, fazer perguntas de exploração e desejarem perceber porque é que isso pode ser útil para a sua função, responsabilidades e resultados, se calhar são aqueles que podem já ter o potencial, a agilidade mental e emocional e principalmente, uma vontade de evoluir adequados.
Obviamente que as Pessoas são uma parte da equação. As Organizações, como entidades não materiais, mas sencientes, também dever ter o talento para criar as condições para que o talento se possa manifestar. 😊
Algumas possibilidades:
Desafio 1 – Queremos que as nossas pessoas tenham conversas que as ajudem a fazer as coisas um pouco melhor do que estão a fazer atualmente.
Processos Atuais – Sistema de gestão de desempenho com objetivos no início do ano, depois grande conversa no final do ano, onde se atribui uma classificação numérica a cada colaborador.
ALTERNATIVA HUMAN CENTRIC:
- Eliminar as improdutivas avaliações de desempenho de fim de ano e introduzir o conceito de check-ins frequentes;
- Torná-los mais fáceis de realizar: curtos, informais, qualitativos, baseados em outcomes;
- Retirar as classificações da conversa, pelo menos numa primeira fase;
- Incentivar os colaboradores a iniciar a conversa e partilhar a sua visão em termos de OKRs de Negócio, Processo, Desenvolvimento.
Desafio 2 – Queremos que as nossas pessoas se sintam valorizadas e reconhecidas.
Processos Atuais – O esquema de bónus anual ligado ao sistema de desempenho anual.
ALTERNATIVA HUMAN CENTRIC:
- Atribuir aos líderes/managers um orçamento para recompensas pontuais, para que os colaboradores possam ser valorizados e reconhecidos de forma atempada e correlacionada com o seu desempenho contínuo;
- Introduzir recompensas “entre pares” baseadas no reconhecimento de comportamentos colaborativos – chamo-lhe o Business Karma. 😊
Desafio 3 – Queremos que os líderes/managers se interessem pelo desenvolvimento das suas pessoas e as ajudem a atingir o seu potencial.
Processos Atuais – 9 Box Grid, Revisão Anual de Talento, Programas de Alto Potencial.
ALTERNATIVA HUMAN CENTRIC:
- Capacitar os líderes e managers com ferramentas e abordagens de Coaching e Mentoring;
- Valorizar e reconhecer publicamente os líderes/managers que fazem bem este trabalho;
- Criar grupos de líderes/managers onde a mobilidade entre equipas possa ser possível e juntá-los regularmente em sessões de partilha de experiências, sucessos e aprendizagens.
Repara, quando apenas 8% das organizações acreditam que o seu sistema de desempenho vale o tempo e esforço investidos, e os níveis de engagement dos colaboradores permanecem estáticos há mais de 15 anos, temos que pelo menos… questionar.
A nossa resposta não deve ser automatizar processos degradados, na esperança de que se tornem mais fáceis de executar.
Acredito que a nossa resposta deve ser finalmente voltarmos àquilo que sempre fomos – Pessoas.
Isso implica um maior foco e teimosia na Ambição Moral e na criação de Impacto para todos.
Pede que exista uma clara definição do que significa Sucesso para a organização, e que isso depois possa ser desdobrado para os vários níveis – verticais de hierarquia, e horizontais de projetos, funcional e colaboração.
Requer Transparência, uma abordagem melhor do que o conforto e a complacência. A ignorância não é uma bênção, de todo.
Está tudo muito rápido, grande, caótico e imprevisível. Por isso a Liderança deve ser distribuída, o talento desenvolvido de forma neo-generalista– self, team, process, business, future, e a Colaboração e Projetos devem ser os novos processos.
Pede Organizações mais Humanistas. Quando me perguntam o que isso significa, partilho que é podermos estar num espaço onde o Cuidado e Florescimento das Pessoas e o Foco no Desempenho e Accountability são umbilicais, simultâneos e harmoniosos.

CODA
Na segunda parte deste artigo irei partilhar algumas abordagens práticas para cada uma destas dimensões, mas ficam já aqui umas dicas.
Neste momento, o trabalho é a força mais poderosa do planeta para gerar impacto positivo em grande escala. Sermos profissionais 720º é um ótimo ponto de partida para podermos colocar em prática a Ambição Moral Organizacional.
À medida que humanoides e IA entram no mercado de trabalho para realizar tarefas, análises e eventuais sugestões sintéticas, as Pessoas/Profissionais devem concentrar-se em competências cognitivas, sentimentos, emoções, imaginação e no impacto genuíno nos clientes, colaboradores, consumidores e na sociedade.
Tudo isto é complexo e trabalhoso, mas dá para fazer. 😊
1 Dia de cada vez. 1% de cada vez!
Para que no final do dia de trabalho, possamos sentir aquele cansaço feliz! 😊
É sinal de que colocamos o nosso talento ao serviço de algo importante e que nos fez sentir realizados.
Porque se calhar o nosso verdadeiro talento é nunca sermos os mesmos!
É nunca sermos iguais aos outros!
Obrigado, Abraço e Fica Bem,
H