Tu és verdadeiramente livre quando não buscas fora de ti mesmo alguém que possa resolver os teus problemas
— IMMANUEL KANT
TRABALHAR, COLABORAR, IMAGINAR DE FORMA DIFERENTE NAS ORGANIZAÇÕES
Ao leres estas linhas, provavelmente ainda estarei a viver uma ressaca existencial 😊 após a realização de um Caminho de Santiago – Finisterra (uma realidade). Enquanto absorvo e encaro com o melhor ânimo e energia possíveis o retomar à vida profissional e a outras tarefas e vivências habituais (outra realidade completamente diferente).
Apesar de díspares, estas duas realidades coexistem em mim. Estava previsto retomar a partilha dos meus vipes e devaneios profissionais em finais de Agosto ou na primeira semana de Setembro. Mas um conjunto de eventos, sincronismos e intuições levaram-me a escolher essa meditação em formato de caminhada de vários dias.
E mais uma vez dei por mim a estar em contraciclo, a fazer ZIG quando o mundo está a fazer ZAG 😊:
- Fui “embora” enquanto quase todo o mundo estava a regressar para o seu dia-a-dia;
- Saí de Santiago de Compostela em direção a Finisterra quando quase toda a gente faz um dos vários caminhos que levam a Santiago;
- Decidi ir sozinho quando a maior parte das pessoas o faz em grupo;
Durante esta caminhada, obviamente fui refletindo sobre muitas coisas pessoais com as quais não te vou chatear. 😊
Também aproveitei para fazer um ponto de situação profissional, tendo em conta o estado atual desta dimensão na minha vida. As possibilidades de caminhos e estratégias que existem para melhorar e evoluir. Os temas que me fazem sentido continuar a trabalhar e outros que eventualmente terão de ir para abrir espaço para coisas novas. Os sucessos e oportunidades de melhoria nos projetos dos últimos meses.
E mais uma vez deparei-me com o facto de eu estar a seguir o tal caminho do ZIG enquanto quase todo o núcleo base dos meus colegas e abordagens profissionais nas minhas áreas de intervenção estão em ZAG.
Está e ficou claro que sou um sortudo. Por ter conseguido conectar e materializar os meus valores pessoais no palco de manifestação e evolução pessoal que é o Trabalho:
AMOR – para que possamos PARAR, PENSAR, REFLETIR, IMAGINAR, ACREDITAR que o NOVO e diferente é possível – Evolução das Pessoas;
VERDADE – porque para isso temos de trazer ao de cima (explorar) e calibrar (através do feedback que recebemos) aquilo que manifestamos e as nossas habilidades criativas, técnicas, emocionais e relacionais. E colocar isso ao serviço da Evolução e Mudança – Inovação e Evolução da Organização;
LIBERDADE – para que as pessoas possam pisar este palco de forma segura transparente, descontraída e focada – Cultura e Formas de Trabalhar com Produtividade.

TRABALHAR – CAMINHO OU OBJETIVO?
Neste Caminho, tornou-se muito claro que o que me anima é ser um facilitador da soberania pessoal e profissional das pessoas, equipas, organizações e clientes. Acreditando que todos nós temos potencial, recursos e habilidades, tal como temos crenças limitantes, más experiências e receios.
E que olhando de frente para os mesmos (Consciência) podemos imaginar possibilidades futuras que nos beneficiam e nos fazem evoluir (Transformação) e que conseguimos visionar um plano ou conjunto de decisões e ações que nos levam lá (Ação). Assim conseguimos fazer diferente.
Nesta viagem manteve-se sólido o foco e princípio que só escutando e estando atento às Pessoas e Mundo poderemos ter acesso a pistas incríveis. Que nos irão levar à verdadeira criação de valor e impactos positivos. Trazendo uma nova dimensão à Inovação de produtos e serviços – exequibilidade, desejabilidade, viabilidade financeira, sempre com integridade e ética. Assim conseguimos impactar de forma diferente.
Com isto conseguimos então utilizar a nossa criatividade, experiência e conhecimento profissionais para podermos criar os melhores produtos e serviços. Enquanto também conseguimos utilizar essa empatia, imaginação e especulação para melhorarmos os nossos próprios processos internos e cultura de trabalho. Assim conseguimos colaborar de forma diferente.
Também reconheci que as conversas abertas e transparentes, focadas nos temas e não no julgamento e avaliação das pessoas envolvidas e que os consensos e prioridades são mais fáceis de lidar e estabelecer quando temos as nossas macro prioridades e objetivos bem definidos e a flexibilidade para, de forma orgânica, desdobrar isso em abordagens ágeis de trabalho – identificar valor, converter em entregáveis e acionáveis, distribuir atividades, sermos eficazes, com comunicação constante.
E ainda mais claro se tornou para mim que o meu trabalho é muito mais do que dizer a alguém que ainda pouco conheço, de uma empresa da qual muitas vezes pouco sei, com assuntos e cultura específicos os quais não acompanho, que existe uma forma única, certa, prescritiva, standard de fazer as coisas.
Para cada líder, manager, profissional, equipa e para os seus respetivos contextos, objetivos, áreas de negócio, processos da organização, o meu trabalho é explorar, encontrar e cocriar de forma colaborativa um sweet spot ou ponto de convergência de performance (que é orgânico e móvel e que nesse sentido deve ser revisitado e atualizado de forma regular) onde se pode obter um sincronismo adequado (não perfeito) que possa criar um win-win para todos (internos e externos à organização).
Através de abordagens de empoderamento e autonomia individuais sincronizadas com metodologias e ferramentas de potenciação do valor, eficácia e eficiência dos objetivos e processos organizacionais. Como o Coaching, Design Thinking e Agile. Com estas e outras, é possível tornar consciente o conhecimento, experiência e recursos das Pessoas, facilitar o sensemaking de todo o contexto interno e externo (das pessoas aos processos). E a partir daí potenciar a inteligência coletiva das organizações para que os clientes, profissionais, equipas possam ser os seus próprios consultores internos.
Reconhecendo todas as pressões, desalinhamentos, dinamismo e competição que de alguma forma definem o mundo corporativo e empresarial, com todas as minhas fibras acredito que é possível trabalhar bem e com qualidade, gerar abundância, ao mesmo tempo que nos desenvolvemos como pessoas de uma forma mais equilibrada, sem termos que nos derreter. 😊
A COVID trouxe para o trabalho e organizações uma oportunidade de ouro para podermos materializar um paradigma muito desejado e sonhado. Mas também para o qual existiam bastantes dúvidas sobre se seria extensível a todo o tipo de trabalho.
Que, criadas as devidas condições de autonomia, accountability, cerimónias, artefatos, e de liderança, é possível que uma organização possa ser produtiva através do mix de uma estratégia colaborativa, design e decisões multidisciplinares relativamente a produtos, serviços e processos, estabelecendo assim prioridades comuns, para então se potenciar a produtividade individual.
Isto implica que os líderes, gestores, profissionais possam ter de recorrer a uma versão melhorada da sua própria inteligência emocional e soberania pessoal.
Pede que todos os processos, atividades, ferramentas, informação, ferramentas, reuniões e tarefas “valham” o seu peso. É uma analogia de um caminhante que só coloca na mochila apenas o que realmente é necessário) 😊.
Que se possam criar abordagens e formas de reconhecimento e pertença organizacional. Que é basicamente o que procuramos receber na nossa dimensão profissional, para além do dinheiro e de alimentar a nossa vontade intrínseca de ajudar e fazer coisas.
E isso implica se calhar fazer as coisas de uma forma diferente. E é nisto que me vou ficar nesta “temporada” 😊 do blog. Como podemos fazer (um pouco) diferente.

TRABALHAR COM OS 4H 😊
Algumas dinâmicas e atividades que realizo nos workshops têm como origem contextos e abordagens de desenvolvimento de… Crianças e Jovens. 😊
E acho que resulta, porque basicamente um Adulto é uma criança grande. E na parte profissional isso também é válido.
Então, para se conseguir fazer o caminho que proponho nas linhas anteriores e em todos os artigos deste blog, pode ser interessante ter uma abordagem integrativa.
Outro dia, ao ler o magnifico Cérebro de Escassez, de Michael Easter, deparei-me com uma menção a um programa de desenvolvimento de jovens com milhões de participantes nos EUA e também em outros países, que me parece bastante catita na forma como encara o desenvolvimento do Ser e que me parece que pode ser facilmente transferido pata o contexto organizacional. Este programa chama-se 4H – Head, Heart, Hands, Health.
Apenas substituindo a palavra jovens pela palavra profissionais, o propósito de Evolução de Profissionais baseado nos 4H ficaria algo assim:
Uma abordagem 4H – Head, Heart, Hands, Health fornece aos profissionais a orientação, os recursos e as oportunidades para se tornarem membros contribuintes da sua comunidade organizacional – equipa, organização, processos, área de negócio e mundo, preparando-os para os vários caminhos e desafios profissionais e encorajando-os a encontrar o seu senso de si mesmos, propósito e responsabilidade.
Head – observar, pensar, desenvolver habilidades de pensamento crítico, ligar os pontos;
Heart – relacionar, cuidar, desenvolver amizades e parcerias;
Hands – fazer, doar, trabalhar, ajudar;
Health – bem-estar, vida saudável, cuidar de si a nível físico, mental e emocional e ser um potenciador disso nos outros.
Por muito que não pareça, a nossa vertente profissional pode ser um convite á nossa consciência e atenção plena. Isso acontece se conseguirmos conectar o nosso trabalho, ou a mentalidade e coração com que o encaramos, aos nossos princípios, valores e aspirações. Se calhar é uma visão não tão óbvia e diferente.
Segundo um desconhecido 😊 que passo a citar:
“O trabalho poderá exprimir a nossa relação com o mundo que nos rodeia. Como tal, nem sempre será gratificante, tal como a vida às vezes também não o é. Porém, se a minha ligação com o trabalho for apenas instrumental (para pagar contas) nunca irei perceber o que mais poderá ser e significar na minha vida.
Por outro lado, procurar dimensões mais profundas na minha parte profissional poderá contribuir para a manifestação dos meus recursos, experiência, conhecimento, ideias, possibilidades conscientes e outras ainda “escondidas” da minha percepção objetiva. Irá dar-me critério e coragem para não ser explorado no trabalho, a não trabalhar em excesso, a não reduzir o meu valor como Pessoa às minhas contribuições profissionais, rendimentos ou talento.”
CODA
Nenhum trabalho é inútil desde que sejamos bem tratados, e sejamos capazes de perceber que provavelmente estamos a ajudar alguém ou a criar um impacto positivo nos outros.
Diria então que trabalhar ou manifestarmos a nossas competências em âmbito corporativo não tem a ver apenas com alcançar objetos ou concluir as coisas. Tem a ver com realizá-las e sobre como isso nos impacta a nós e aos outros.
Então mais uma vez, se calhar estou a fazer ZIG quando o mundo está a fazer ZAG. Porque para mim trabalhar é um caminho, não o atingir de um objetivo. É estar presente, dedicado, atento e focado no que estou a fazer, o que melhor que posso, no sentido de pesquisar, explorar, criar e entregar algo que possa ter um impacto positivo nos outros.
Então, poder ter a oportunidade de poder contribuir para este ”… procurar dimensões mais profundas na minha parte profissional que poderá contribuir para a manifestação dos meus recursos, experiência, conhecimento, ideias, possibilidades conscientes e ainda “escondidas” da minha perceção objetiva” juntamente com os líderes, managers, equipas e organizações é o que se sincroniza comigo.
E sendo o mundo organizacional um ambiente desafiante, complexo e às vezes agressivo, acredito que todos os horizontes sombrios podem ser iluminados. E que nós próprios somos a candeia. 😊
Obrigado, Abraço e Fica Bem,
H