Sensibilidade e Bom Senso Organizacionais

Sensibilidade e Bom Senso Organizacionais

Sensibilidade e Bom Senso Organizacionais

1920 1200 Hugo Gonçalves

Os Dispostos atraem-se

Desconhecido

SENSIBILIDADE E BOM SENSO NAS ORGANIZAÇÕES – DIMENSÕES, ABORDAGENS, REFLEXÕES

Nas últimas semanas estive envolvido num processo de preparação e capacitação de um conjunto de líderes de uma multinacional farmacêutica, para um novo processo de Performance Management que está a ser desmultiplicado worlwide, por toda a organização.

Conhecido de forma mais corriqueira como sendo um sistema de avaliação de desempenho, esta abordagem é muito mais do que isso. Na sua essência, é um processo de design, planeamento, execução e follow-up da eficácia e performance dos colaboradores e sobre a forma como esta se manifesta nas seguintes dimensões:

OBJETIVOS E RESULTADOS + QUALIDADE DOS PROCESSOS + COMPORTAMENTOS/ATITUDES.

Aquando da colocação de uma questão específica por parte de um dos elementos do grupo, sobre qual a melhor abordagem relativamente a um ponto desafiante e sensível, o que me saiu como contributo foi que, seria interessante reconhecer o contexto específico do membro da equipa, do seu tipo de trabalho e do tipo de clientes com que trabalhava e a partir daí, imaginar qual é a coisa certa a fazer, tendo em conta o desenvolvimento desse colaborador.”

Basicamente, terminei eu – “é uma questão de Sensibilidade e Bom-Senso!”

Tá bonito Hugo, já andas a usar Jane Austen como referencial de Liderança e Desenvolvimento Organizacional. ?

De qualquer das formas, mantenho o que disse.

A sensibilidade e bom senso são duas dimensões fundamentais para os processos de Evolução das Pessoas e da forma como estas interagem, comunicam, criam e executam Valor e Impacto, no palco que é uma organização.

Mas antes de divagar e apresentar-te como a Sensibilidade e Bom-Senso podem ser competências cruciais de liderança, colaboração de equipas e pares, de foco no cliente e partes interessadas, de inovação e design de novos futuros e de performance e resultados, deixa-me também aqui partilhar o que vou vendo acontecer nas organizações, relativamente a estas duas temáticas.

SENSIBILIDADE E BOM SENSO – FOCO CRISTALIZADO

SENSIBILIDADE

Não há como negar que as organizações são lugares “sensíveis”. ?

São um espaço universal onde várias dimensões fraturantes na sociedade. Como poder, dinheiro, influência, normas e conceitos do que é bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado e tudo o mais que possas imaginar acontece num único ecossistema e ao mesmo tempo.

De uma forma geral, as sensibilidades organizacionais estão moldadas pela compartimentação, pelos hábitos e rotinas, pelas características da área de negócio e principalmente pela especialização.

Toda esta estrutura cria segurança e admito que também alguma eficiência, na perspetiva da otimização de recursos. Mas pode estilhaçar a inovação, a abertura à mudança e a capacidade de podermos moldar a nossa eficácia (fazer aquilo que é o adequado, baseado nas necessidades de quem vai receber esse valor) de forma alinhada com as metamorfoses das Pessoas e Mundo.

Sendo um pouquinho mais “provocador” e assumindo desde já que em algumas situações claro que também sou impactado por este “fenómeno” ?, a sensibilidade manifesta-se também pelas reações emocionais que temos.

Quando, seja pela realidade ou pela perceção, questões sobre factos, evidências, opções, visões diferentes se tornam em coisas pessoais, em interpretações de apreciação/valor e ativam triggers.

Ainda fazemos uma certa confusão entre feedback sobre um resultado, processo ou outputs e como isso às vezes é emitido/recebido como julgamento sobre quem nós somos como Pessoas.

Podemos também ser “insensíveis”. Devido ao facto de termos uma convicção forte sobre qual a melhor abordagem, sobre o que é que os outros precisam, sobre o melhor “como” – ideias e planos de ação e afins. Isso pode fazer com que estejamos menos abertos, atentos e dispostos a acolher outras alternativas e possibilidades.

A questão é que muitas vezes confundimos Sinal, Ruído e Antena.

O Sinal é efetivamente o cerne da questão. São os factos, os assuntos, os dados, a temática, as ideias, as decisões, como podemos resolver algo ou dar uma resposta a uma oportunidade identificada.

Ou seja, tem a ver com o propósito, com a capacidade de colaborar e decidir, e sobre a execução e lições aprendidas. Tem a ver com as soluções e impactos.

Ruído é basicamente o que se pode considerar como triggers, alarmes, desconfortos, experiências e lições aprendidas (mas não integradas) internos. Normalmente estão associados a outros contextos, mas que invadem o tema, contexto, realidade atual ou são ativados pelo mesmo.

A Antena é a nossa mente, com todas as suas aversões, apegos, crenças, dogmas, hábitos e definições. Que muitas vezes transformam sinal em ruido, e que impactam o nosso próprio sinal – autêntico, forte, inequívoco, contextualizado e positivo/neutro.

A nível profissional e organizacional o que realmente interessa é o Sinal = Valor e Impactos (para colaboradores, para clientes e partes interessadas).

BOM SENSO

Ahhh o bom senso, uma das commodities com maiores ruturas de stock nas organizações. ?

Acredito que o bom senso é algo pacífico e relativamente objetivo de ser interpretado e partilhado por várias pessoas, perante a mesma situação. A questão é que o bom senso é claro, transparente, até mesmo evidente quando estamos a vibrar num determinado nível de foco, atenção, curiosidade, abertura e empatia.

O que acontece é que trabalhar numa organização é viver em intensidade, desgaste físico e emocional, competição, resultados, objetivos, comparações com outros, ser @ melhor. Pode ser vivenciar um limite contínuo.

E os limites, a meu ver, são para ser explorados e conquistados passo a passo, não ultrapassados de forma constante.

Uma utilização sem espírito crítico de factos, dados, opiniões e histórico sem levar em conta contexto, sem sair dos escritórios e fábricas e avaliar se a realidade bate certo com os dados (normalmente não bate ?) pode trazer-nos decisões e soluções dessincronizadas com o que as Pessoas e Mundo realmente necessitam.

O pensamento de grupo, seja este suportado por uma liderança mais carismática, por um conjunto de similaridades numa equipa, por uma visão do negócio “comum demais” também pode tornar um suposto bom senso numa armadilha para a Inovação Organizacional.

Isto acontece bastante em organizações que ainda se empenham num culture-fit a todo o custo, ao invés de um culture add.

SENSIBILIDADE E BOM SENSO – FOCO INTEGRATIVO

SENSIBILIDADE EVOLUTIVA

Considero que abordagens como a autoliderança, a inteligência emocional e a capacidade de conseguirmos interpretar com curiosidade, foco, abertura e profundidade os “pequenos grandes” sinais que se manifestam nas Pessoas e Mundo é um exercício de sensibilidade evolutiva.

Para quem se relaciona com o tema e em jeito de metáfora, é como termos uma abordagem de Mindfulness, onde estamos atentos, curiosos e presentes ao que se está a passar, sem grandes viés e “gosto/não, gosto”.

O que se pretende é captar, observar, reconhecer! O que se faz com isso fica para a etapa seguinte. Esse vislumbre de Realidade traz pontos de luz a desafios organizacionais que normalmente são mais complexos e densos.

É assim importante reconhecermos o que acontece com os nossos Sinais, Antenas e Ruídos neste processo. Para que ao reconhecê-los, possamos ter um foco interno de clarividência de valores, critérios de sucesso e possamos responder, ao invés de reagir, quando os mesmos forem desafiados.  

A sensibilidade evolutiva traz também inclusão e diversidade. Pois começamos a dar atenção a feedbacks, partilhas, contextos, experiências diferentes das nossas, com uma “lente” mais cristalina. Logo mais próxima da realidade e menos enviesada com os nosso próprios interesses/experiências. Ficamos mais gentis e tolerantes, sem isso beliscar a nossa própria força, talento, experiência e performance.

BOM SENSO INQUIETO

A evolução vertiginosa das tecnologias, experiências e necessidades exigem valor e mudança de forma exponencial. Mas para criar valor exponencial é necessário um mindset exponencial. E um heartset à altura. ?

Então uma perguntar muito interessante que pode ser colocada é:

Porquê mudar e inovar? Isto é bom senso inquieto ?

É um exercício de Fluxo.  É um estado de espírito onde abraçamos a mudança como sendo um ponto de partida. É uma dimensão que leva à integração simultânea de segurança interna e prosperidade e evolução.

É a capacidade de ver todas as mudanças, quer queiras, esperes, quer gostes ou não – como uma oportunidade, não uma ameaça, e aproveitar os seus tesouros e abundância.


O bom senso e a inquietação têm um ponto em comum: São as Pessoas!

É por isso que a colaboração e a construção partilhada tiveram sucesso desde a altura que eramos Cro-Magnons nas cavernas, savanas, florestas e estepes deste mundo.

Existem duas energias intrínsecas que, apesar da distância de milhares de anos, nos ligam a essas versões beta da nossa espécie

Essas energias são a Criação e a Partilha.

Quando conhecemos como nós funcionamos, quando nos sentimos seguros, quando sentimos que estamos num espaço onde somos nutridos e podemos florescer como profissionais, a primeira opção e escolha não é guardar tudo para nós.

Escolhemos alimentar a criação e a partilha juntamente com os outros. É uma manifestação conjunta.

Por isso é que considero que as organizações, sendo palcos de tantos “males”, pode também ser o melhor espaço para o desenvolvimento e implementação dos melhores  “remédios e curas”. ?

CODA

Normalmente nesta parte do artigo vêm as minhas reflexões finais, mas hoje abdico desse espaço e entrego-o a ti e para as tuas próprias reflexões. ?

A Sensibilidade e Bom Senso são algo que até se pode manifestar exteriormente, mas são fruto de um trabalho interior. Uma das formas fixes de nutrir a reflexão e curiosidade sobre nós próprios é através de questões e partir de pressupostos e cenários:

Aqui vão elas então:

  • Quais são os teus próprios critérios de sucesso pessoal e profissional, independentemente de normas, conceitos e opiniões externas socialmente construídas?
  • Como cultivas uma capacidade interna de resiliência e agência, adaptando-te à mudança com uma cabeça fria e pragmática e um coração quente e aberto? Em vez de “subcontratar isso” às circunstâncias externas?
  • Como podes, em casos complexos e desafiantes, tornar clara qual a tua ética interna de trabalho e a realização de mérito e orgulho, em vez de direitos e privilégios externos que podem estar ou não alinhados contigo?
  • Como podes manter a energia da curiosidade, da esperança, do aprendiz, num ecossistema profissional que muitas vezes nos desilude, não traz segurança e pode ser agressivo?
  • Como podes olhar para as experiências “menos positivas” como sendo um ponto de partida de aprendizagem e não de avaliação/estagnação da tua pessoa?

Tendo acesso às tuas respostas, que irão ser sempre tuas, mais facilmente estarão abertos os trilhos da tua própria Sensibilidade e Bom Senso.

Que, espantosamente, normalmente batem certo com as dos outros, quando todos estamos nesse registo de empatia, curiosidade, abertura, consciência do que é valor e precisa de ser entregue.

Obrigado, Abraço e Fica Bem,

H

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