Liderar com SuperPoderes!

Liderar com SuperPoderes!

Liderar com SuperPoderes!

1500 1166 Hugo Gonçalves

“Se as coisas são inatingíveis, não é motivo para não as querer. Que tristes os caminhos se não fosse a presença mágica das estrelas.”
Mario Quintana

Vamos lá admitir – em algum ponto da sua vida, andou pela casa de capa, com espadas e sabres de luz, sonhando atravessar paredes, voar, teletransportar-se para outro local, etc. Todos nós gostaríamos de ter a oportunidade de encarnar os nossos heróis e heroínas que acompanhavamos pela TV, através dos livros, de histórias, de mitologias e possuirmos as suas capacidades e superpoderes.

Não se preocupe, todos nós tivemos esses momentos. Existe sempre algo de fascinante sobre esta questão dos superpoderes que capta e encanta o imaginário de miúdos e graúdos. É divertido imaginar como seria a nossa vida tendo acesso a essas capacidades.

É pacífico. Faz parte do desenvolvimento da nossa capacidade futura de podermos imaginar, criar, querer evoluir. É uma etapa inicial que nos ajuda a definir o nosso adulto profissional. E cada vez mais, hoje em dia, estamos a resgatar essas “competências” inatas que, de uma forma ou outra foram sendo adormecidas. Para que Pessoas e Negócios possam estar alinhados.

Como dizia George B. Shaw: “Não deixamos de brincar porque envelhecemos. Envelhecemos porque deixamos de brincar.”

Nas últimas semanas, tenho tido a oportunidade de interagir com uma fantástica equipa de gestores intermédios, que está a realizar uma “reflexão organizacional”, que está a ser facilitada com o auxilio de um mix de competências e metodologias: Coaching, Criatividade, Consciência Organizacional, Identificação de Valor e Desperdícios, Desenvolvimento do Cliente e Performance Profissional. Há dias atrás, esta questão dos super-poderes veio à baila. E associada a uma questão muito concreta: a Liderança!

É um facto que para dirigir e gerir uma empresa e mantê-la competitiva e viável, são mesmo necessários superpoderes: trabalhar 14 horas, dormir apenas 4, desdobrar-se em telefonemas e emails, gerir conflitos e divergências, apagar fogos. Depois “manipular” o tempo para que na vida pessoal se possa ter acesso a algum tipo de equilíbrio e conviver com as pessoas que nos são mais próximas e também nesse campo materializar as nossas responsabilidades.

Ontem, “apareceu-me à frente” uma lista dos superpoderes preferidos das crianças. Ao analisar melhor essa lista, ocorreu-me a seguinte questão:

Podemos ser melhores Líderes utilizando essas capacidades, mas calibradas para potenciar as Pessoas das nossa organizações?

Sim, acho que podemos. Apresento em seguida a minha short-list de alguns dos 25 “poderes” que constituíam essa lista e de que forma elas podem ser utilizadas na Liderança de Pessoas e Negócios. Não existe nenhuma ordem de importância específica.

| Reflexos Rápidos

Não, não estou a falar de karaté, kung-fu ou algo do género. As palavra-chave aqui são a flexibilidade e a agilidade. Uma empresa é inovadora de forma constante quando consegue avaliar, desenhar, criar e materializar produtos e serviços a uma velocidade superior àquela que os clientes, mercados, tendências e necessidades exigem. O mesmo funciona para os seus processos e conhecimento internos.
Para isso acontecer, não podemos obter resultados diferentes (inovar, novos clientes, novos utilizadores) utilizando as mesmas abordagens de sempre. Existe uma palavra que carateriza as organizações do futuro. São ambidextras. Pois juntamente com a lógica, a estrutura e performance, também são empáticas com os seus clientes, utilizam a criatividade no design dos seus processos, promovem espaços internos regulares de reflexão e geração de “algo novo” e comunicam o resultado de toda esta abordagem de uma forma clara e emocional, para dentro e fora da organização.

| Invisibilidade

O paradigma de Liderança que começa a ser cada vez mais adoptado e que irá suportar o futuro das organizações é o seguinte: O Líder sonha em que é que a organização se pode tornar, como pode ajudar as pessoas a resolver problemas, poupar tempo, experienciar emoções, etc. Comunica essa visão e pede a colaboração da sua equipa e dos seus clientes para avaliar como tudo isso se pode tornar real. Define os recursos e competências necessárias. Rodeia-se de especialistas e promove a sua evolução. E depois torna-se invisível. Para que os especialistas possam trabalhar de forma “orgânica” entre eles e desenvolverem a melhor abordagem para o objetivo maior. Traduzindo isto em linguagem business: autonomia, delegação, empowerment!

| Falar todas as Línguas

Existem várias formas de linguagem. Verbal, corporal, sensorial, de personalidade, de emoções. A equipa do Líder é constituída por um conjunto de Pessoas que possui a sua linguagem e forma de comunicar próprias. Faz sentido que exista uma abertura e sentido de presença quando estamos a comunicar com os nossos colaboradores para que os possamos “escutar” e compreender. O que dizem, como dizem e de que forma o seu corpo se comporta quando dizem algo (ou melhor ainda quando ficam em silencio). A escuta ativa e a comunicação situacional são ótimas ferramentas para identificar alguns desafios culturais e para conseguirmos gerir melhor o talento das Pessoas das nossas organizações. Não proponho que faça um scanning sempre que fala com a sua equipa. Apenas esteja presente e realmente interessado e de forma natural e não “manipuladora” irá obter toda a informação que precisa e senbilizar as pessoas para aquilo que é importante e que tem que ser feito.

| Crie o seu próprio Campo de Forças

A força magnética é um tipo de força entre objetos, que atua mesmo que estes não estejam em contato, tal como a força gravitacional e a força elétrica. Pode ser atrativa ou repulsiva.

Vão existir situações onde será necessário intensificar a força deste campo. Situações onde precisa de estar concentrado, onde é necessário um foco intenso para concluirmos alguma atividade. Num outro registo é importante que possamos ter a capacidade de manter o nosso equilíbrio, princípios e valores bem definidos e alicerçados e trabalhar no sentido de não deixar que as dinâmicas e agressividades inerentes ao Negócio possam interferir com esse núcleo. Saber dizer Não, estabelecer os limites, não ser invadido pela “má onda e energia dos outros”. Irradie em vez de absorver.
| Controlar a Mente e as Emoções

Aqui uma nota compulsória. Quando falo de mente e emoções, são apenas e exclusivamente as suas! Quanto melhor o Líder | Profissional alinhar o que gosta de fazer [Interesses], com os seus Skills e Competências [Talento + Conhecimento] e com a forma como se relaciona com os outros [Personalidade], mais efectiva será a sua realização profissional e pessoal.

Através do auto-conhecimento, da reflexão, e da procura do seu sentido de missão, descubra como as suas características pessoais, incluindo um sentido de perspectiva, valores e crenças, podem influenciar os processos empresariais e o alcançar de objectivos dentro da sua organização.

| Premonições 🙂

Premonição é a sensação ou advertência antecipada do que vai acontecer, é sinónimo de pressentimento. É circunstância ou fato que deve ser tomado como aviso; presságio. A palavra é muito conhecida devido à literatura e aos filmes que a têm como tema principal, explorando a capacidade sobrenatural de se prever o futuro.

Quantas vezes não se sentiu invadido por uma sensação sobre qual seria o resultado final de uma deterimada escolha de parceiros e negócios, pessoas ou desafios a resolver? Também certamente teve a noção que determinada oportunidade, alguma novidade ou forma de fazer as coisas poderia dar origem a resultados fantásticos.

Todos nós possuímos a capacidade da intuição. A questão é que as pressões a que estamos sujeitos no dia-a-dia e a falta de auto-conhecimento referida no ponto anterior não nos permitem ter acesso a essa mesma intuição e clarividência. Nos casos positivos, explore essa sensação e veja como ela se pode materializar e trazer resultados e bem estar à sua organização. Nos casos mais “problemáticos” ou de possíveis consequências menos positivas, avalie o que ganha e o que perde, a nível tangível e intangível. Isto pode trazer algo de bom: poder preparar-se o melhor possível para algo que sabe que vai eventualmente ser um desafio ou um problema. Será muito mais fácil depois atravessar a tempestade. E, independentemente do resultado, algo será certo. Vai sempre aprender algo!

Para suportar esta ultima afirmação, partilho uma história. Um dia, aluno e um mestre conversavam sobre a vida, as decisões, etc. O aluno questiona o mestre:

– ” Mestre, como faço para ser sábio?”
– ” Boas escolhas, evidentemente….”, respondeu o sábio de forma tranquila.
– ” E como fazer as melhores escolhas?”
– ” Utilizando a tua experiência e o que aprendeste.”
– ” E como posso adquirir experiencia?”
– ” Fazendo más escolhas!”

O futuro e sucesso de Pessoas e Organizações estarão cada vez mais ligados à habilidade de conseguirmos estar conscientes do mundo que nos rodeia e imaginar novas possibilidades ou novas versões da realidade atual. Transformar esses sonhos ou possibilidades em realidades chama-se Inovação. As bases desta abordagem são: Empatia, como a capacidade de compreender o contexto dos Clientes (Internos e Externos) e perceber qual o seu estado atual, resultados desejados, “gains” a potenciar e os “pains” a remover; Criatividade como a melhor utilização do conhecimento, experiência e sentidos para imaginar sem filtros diferentes possibilidades e oportunidades; Lógica como a estruturação e cocriação das melhores soluções.

Quais são os seus Superpoderes que podem ajudar a materializar esta abordagem e obter os melhores resultados?

Um abraço,
Hugo Gonçalves

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