Self, Surrender, Sorte (Parte 1) – O Otimismo Ativo

Self, Surrender, Sorte (Parte 1) – O Otimismo Ativo

Self, Surrender, Sorte (Parte 1) – O Otimismo Ativo

1920 1280 Hugo Gonçalves

—  ECKHART TOLLE

Sorte + Responsabilidade. Certamente conheces o Bill Gates, mas aposto que nunca ouviste falar do seu melhor amigo de infância, Kent Evans.

Em 1968, o Bill andava numa escola secundária em Seattle chamada Lakeside. O que quase ninguém sabe é que essa era uma das raríssimas escolas no mundo inteiro que tinha um computador disponível para os alunos. O próprio Gates diz que se não fosse a Lakeside, a Microsoft nunca teria existido. A probabilidade matemática de um jovem daquela idade ter acesso a um computador em 1968 era de sensivelmente uma em um milhão.

Bill Gates conheceu Kent nessa escola e os dois eram duas almas gémeas da tecnologia. O Kent era tão ou mais genial do que o Bill, passavam horas a programar juntos e já faziam planos detalhados para fundar uma empresa de software assim que saíssem dali.

A vida pregou-lhes uma rasteira inexplicável: antes de terminarem o ensino secundário, o Kent foi fazer alpinismo e faleceu num acidente trágico numa montanha. A probabilidade de um jovem morrer a fazer alpinismo nos Estados Unidos também era de cerca de uma em um milhão.

Repara bem na ironia disto. O Bill Gates experimentou o lado positivo da probabilidade de uma em um milhão, que foi a sorte extrema de ter um computador e ter sucesso. Por outro lado, o seu melhor amigo Kent experimentou exatamente a mesma probabilidade de uma em um milhão, mas do lado do risco trágico e absoluto.

Isto prova que a Sorte e o Risco são gémeos e andam sempre de mãos dadas no mundo profissional e organizacional.


Em 2010, no auge da crise financeira que abalou a Europa, o grande maluco Eric Cantona lançou uma proposta revolucionária: em vez de irmos para a rua queimar carros e fazer manifestações (muito francês), o verdadeiro protesto contra o sistema corrupto seria todos nós retirarmos o nosso dinheiro dos bancos ao mesmo tempo, no mesmo dia. 😊

A sua lógica era de uma simplicidade desarmante: se milhões de cidadãos esvaziassem as suas contas bancárias em simultâneo, o sistema financeiro colapsaria e os governos seriam finalmente forçados a ouvir o povo.

Apesar do mediatismo, este apelo à “revolução” de Cantona acabou por fracassar na prática. A esmagadora maioria das pessoas teve medo de arriscar as suas poupanças ou simplesmente percebeu a logística impossível da operação. Economistas de todo o mundo apressaram-se a criticar o francês, explicando que o colapso bancário proposto não puniria apenas os vilões de Wall Street, mas destruiria os fundos de pensões, congelaria os salários das empresas e paralisaria os hospitais e serviços públicos.

No entanto, o extremismo desta história serve como um ponto de partida brilhante para tomarmos consciência do verdadeiro poder que detemos enquanto cidadãos e consumidores.

A provocação de Cantona mostrou uma verdade: o momento em que percebemos que o sistema é sustentado pela nossa própria participação diária é o momento em que recuperamos a nossa soberania.

Gosto muito desta frase que li algures – Cada euro que gastas, poupas ou investes funciona como um voto social diário sobre o tipo de mundo e de economia que queres ver prosperar.

Isto também prova que a Soberania Pessoal e as Ações são gémeas e andam sempre de mãos dadas no mundo profissional e organizacional. 😊

Que las hay, las hay. As “Meigas” são figuras centrais do folclore mágico da Galiza. Apesar do nome riquinho, uma Meiga é uma mulher com conhecimentos mágicos ou sobrenaturais. Já não bastam os poderes “normais” das mulheres 😊.

No bestseller de Cervantes, D. Quixote, Sancho Pança fala sobre o tema com uma simplicidade desarmante: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”.

A semana passada facilitei com a KNOWMAD mais uma edição de um workshop sobre Produtividade Pessoal e Profissional para um conjunto de managers, especialistas, líderes da entidade pública autónoma responsável por supervisionar o nosso sistema financeiro em várias dimensões.

No início do workshop mencionei que a verdadeira produtividade é trabalhada a montante, de forma estratégica e olhando de frente para a Pessoa que somos, identificando qual o nosso estilo de produtividade, reconhecendo como a nossa necessidade de segurança e prazer pode levar-nos a decisões e escolhas não criteriosas e como a inteligência emocional permite-nos focar naquilo que é relevante e assim melhor comunicar e colaborar com outros.

A maioria deles, certamente esperando perceber como poderiam artilhar os seus Teams e Outlooks da vida, utilizar a AI e assim fazer mais, ficou algo surpreendida com o objetivo que defini.

No fim do workshop, ao fazermos uma dinâmica de debriefing e de avaliação das principais conclusões e transformações, muitos participantes referiam algo do género:

Tal como disse, que las hay, las hay. E não falo de bruxas. 😊

Falo do papel das relações e emoções na evolução profissional e organizacional!

O Otimismo Ativo é a confiança de que as coisas vão correr bem, aliada à vontade de fazer o trabalho e agir para que isso se torne verdade.

Acredito que existem realmente dois tipos de otimismo:

O Otimismo Passivo é exclusivamente sobre crença. A crença de que as coisas vão correr bem. Fé cega. O Otimismo Ativo é a crença que gera ação. A crença de que as coisas vão correr bem, e a ação para garantir que corram. Fé conquistada.

A questão da Sorte, Responsabilidade e como é que as podemos “unir” da melhor forma, dentro do que depende de nós e assumindo o mindset, heartset e prática do Otimismo Ativo torna-se agora seminal.

Numa época em que a AI pode otimizar resultados, objetivos e performance de forma hiper eficiente, mas não eficaz, é importante que tu, a tua equipa e a organização tenham o poder, a capacidade e a perspetiva crítica para os questionar.

Na era da AI, uma das competências fulcrais é o pensamento crítico e criativo.

– Mas isso são duas Hugo! – podes estar tu a dizer. 😊

Aparentemente podes ter razão, mas a capacidade e essência que estão por detrás são as mesmas – Evolução.


E para isso é importante…. Duvidar! 😊

Dúvida é a qualidade ou sentimento de incerteza e dúvida. Descreve o estado mental (e emocional) de manter um ceticismo razoável em relação às coisas e permanecer aberto a ser provado que estou errado.

A dúvida é a função de questionar sempre tudo, especialmente as próprias crenças e pressupostos. Uma empresa que automatiza as suas ações, mas que nunca questiona as suas suposições, está apenas a fazer com que as coisas erradas aconteçam mais rapidamente.

O mundo encontra sempre uma forma de nos fazer perceber o nosso real tamanho e lugar no grande círculo das coisas.

Somos jovens até que não somos. Temos paixão pelo que fazemos e pelas Pessoas e Mundo que nos rodeia até ao momento onde não sentimos as coisas assim. Temos energia e saúde até o momento onde isso já não é um dado adquirido. Estamos próximos daqueles que amamos e acarinhamos até ao momento em que eles ou nós mesmos decidimos ir embora.

Esta diferença entre as nossas Aspirações Pessoais e Profissionais e aquilo que o Mundo, no seu percurso atual e futuro, tem para nos oferecer torna-se desafiante de gerir, pois está inseparável da impermanência e fragilidade. Esta simultaneidade, ou Bothness é uma pedra angular da agilidade emocional.

É a habilidade de conseguirmos reconhecer que muitas das coisas que são importantes para o nosso desenvolvimento, evolução e florescimento profissional e da organização são como fios de emoções, contextos, ideias, paradigmas e experiências muitas vezes contraditórios e ambíguos.

Em 1984, Donald Schön escreveu sobre o praticante reflexivo – o profissional que não apenas faz o trabalho, mas apanha várias vezes o helicóptero da perspetiva para examinar como o faz e porquê.

Não é um conceito complicado. Mas no mundo de hoje, tornou-se algo (muito) raro.

Construímos sistemas que recompensam a rapidez em vez do pensamento. Em muitas organizações, abrandar é visto como um problema. Como se parar para pensar significasse que estás a ficar para trás.

Mas aqui está o que vejo no meu trabalho com profissionais de várias áreas:

Cada vez mais pessoas procuram um espaço para sair do ruído. Para trabalharem bem!


Profissionalmente, a paz não tem a ver com ter menos para fazer – vem de estar na relação certa com o que se está a fazer.

Demasiadas pessoas estão a mover-se rapidamente em empregos que já não fazem sentido para elas. Não estão a falhar – estão desligados. Por propósito. De si próprios.

A verdade é que a maioria das pessoas espera até que o desconforto se torne insuportável antes de agir. Mas devagar, e depois de repente, deixam de se reconhecer nos papéis que ocupam. Esse é o verdadeiro preço de não se preocupar: a erosão silenciosa do eu. ☹

A reflexão não nos atrasa. É estratégica. Ancora-te. Quanto mais claramente te reconheceres, mais rápido podes tomar as decisões que realmente importam. A reflexão elimina o ruído. Não é passivo. É preciso.


Como um bom prompt engineer do Caminho do Meio que desejo e preciso de ser, partilho alguns contigo. Não são complicados nem precisam de muitos tokens 😊:


Não esperes que uma crise te dê permissão para fazer algo. Já a tens. Sempre a tiveste.

Mereces uma carreira que esteja alinhada contigo – não apenas com o que o organigrama espera de ti. Tens o direito de sair do circuito. Tens o direito de querer algo melhor. E, mais importante ainda, tens o direito de fazer algo a respeito.

O Otimismo Ativo pede-nos que possamos assumir que as coisas vão correr bem e que decidimos e agimos para que isso seja verdade. Esta combinação cria uma confiança silenciosa que te permite tolerar a incerteza melhor do que qualquer outra coisa.

Isso pede-nos coisas algo complicadas – Surrender (Aceitar), Deixar Ir (Desapegar), Clareza sobre o que realmente eu preciso e se isso é mais importante do que eu desejo.

Acredita que é mesmo muito mais fácil de falar do que fazer. Nesta altura da minha vida, isto está sempre na To-Do List e tem sido bravo. 😊


O parágrafo anterior tem a ver com acionáveis. Mas estes devem ser alimentados por algum tipo de fonte de energia interna. Amor, Essência, Paz, Verdade, Liberdade, Aceitação, Autocuidado.

Profissionalmente e organizacionalmente, é muito fixe quando sabemos o que depende de nós, porque reconhecemos as nossas capacidades e oportunidades de melhoria. E assim criamos espaço, tempo e transparência para se comunicar e colaborar melhor, respeitando os contributos individuais e entrelaçando-os de forma colaborativa para se criarem as melhores Protopias.

A sorte, o risco, o inesperado, o caótico são cada vez mais variáveis governantes das organizações e do mundo corporate. Estar atento, aceitar, saber em que situações surfar a lava ou protegermo-nos dela são decisões e atitudes que nos poderão trazer não um futuro perfeito, mas sim um em que continuamos a florescer, a evoluir e a alimentar com produtos serviços e soluções, as respostas que as Pessoas e Mundo precisam, mesmo que não sejam aquelas que mais desejam.


No icónico filme O Sentido da Vida (Monty Python), o grupo conclui de forma satírica que o sentido da vida é incrivelmente simples. No final do filme, a personagem de Michael Palin abre um envelope e lê a resposta direta:


Parece-me muito bem! 😊


Obrigado, Abraço e Fica bem,

H

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